domingo, 27 de julho de 2008

(interlúdio)

Nunca precisara de tomar nota para não se esquecer das coisas, mas naquela noite sentiu necessidade de rabiscar nas paredes espessas. A palavra escrita parecia-lhe agora o único veículo seguro. O único caminho para a imortalidade. Ou para algo menos terreno. E suavemente começou a traçar linhas a vermelho, como faca na veia, em letras disformes, tremidas mas seguras,

Pelo madrugada, sem dobrarem sinos pela sua morte, já tombara desfalecido.

Nas paredes da cela, a vermelho sangue: LIBERDADE.

Sem comentários: