terça-feira, 18 de novembro de 2008

80 vezes Mickey

O rato da imagem foi uma das minhas maiores referências de vida praí até aos dez anos.
Hoje, celebra o 80º aniversário. Parabéns.



domingo, 16 de novembro de 2008

Coimbra (de) sempre

De passagem pelo Penedo da Saudade, cruzei-me com este poema de Manuel Alegre:

De Coimbra, fica um rio e uma saudade
Cavaleiros andantes, Dulcineias
De Coimbra, fica a breve eternidade
Do Mondego, a correr em nossas veias

De Coimbra, fica o sonho, fica a graça
Antero de revolta, capa à solta
De Coimbra, fica um tempo que não passa
Neste passar de um tempo que não volta


O tempo não passa por Coimbra. Podia fazer aqui uma (enorme) lista de coisas que nunca mudam naquela cidade. Mas não vale a pena. Quem por lá passou sabe do que falo; quem nunca viu Coimbra como uma casa não ia perceber, por mais que me esforçasse com explicações inúteis.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Tony Carreira e Popota, o par romantico deste Natal

Afinal, os suplementos de Economia dos jornais até podem trazer notícias engraçadas. Hilariantes, até. Hoje, quando folheava o caderno de Economia do Expresso - rapidamente e em modo "piloto automático", como habitual - vi-me obrigada a parar na página 36. Motivo: imagens de desenhos animados em forma de hipopótamo. Lembram-se da Popota, a mascote do Modelo no Natal passado? Era ela. Mas estava acompanhada de um hipopótamo de cabelinho esquisito. Era o Tony Carreira. Sim, esse mesmo. O cantor romântico português que plagia músicas mexicanas.

Parece que o Tony se associou à campanha do Modelo e gravou um CD com 12 músicas. Parte das receitas (provavelmente astronómicas) do álbum revertem a favor do projecto Causa Maior. Até aqui tudo bem, parece-me uma bela jogada de marketing do Modelo. Mas havia mesmo necessidade de transformar o Tony num hipopótamo pateta? A avaliar pelas imagens publicadas no Expresso, a resposta é: "sim, sem dúvida". É que o hipopótamo Tony faz par romântico com a Popota. Juntos, vão cantar, dançar e encarnar personagens de filmes como "Cinderela" e "Titanic". A famosa cena na proa do Titanic está lá, claro. Os olhares melosos também. As semelhanças entre o hipopótamo e Tony Carreira... nem por isso. Mas talvez seja problema das fotos, já que a Pópata aparece quase sempre em grande plano, a exibir os seus vestidos diferentes.

Eu, que gosto de bonecos e coisas parvas, estou ansiosa para ver o anúncio. E consta que não vou ter de esperar muito: as imagens devem começar a circular já nesta semana. Afinal, "o Natal está mesmo aí a porta".

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

mea culpa

Ao longo do último mês, RMS esteve em Londres (uma vez), Penafiel (outra vez), Pombal (três vezes) e Alfafar (cinco vezes). Não só mas também por isso, não escreveu. E agora se penitencia perante os três leitores do blogue com nome de crepe.

PS. RMS aproveita a ocasião para recomendar a leitura da coluna de Ferreira Fernandes no DN de ontem, onde nos é explicado que "os cidadãos do país mais industrial do mundo e com as melhores orquestras sinfónicas votam por regras ditadas pelos camponeses do Kentucky dos meados do século XIX". Simplesmente, genial.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Novo hino nacional

Mais de 1700 portugueses gostavam que o actual hino nacional fosse substituído pela canção "Movimento Perpétuo Associativo", dos Deolinda. A petição está online e pode ser assinada aqui.
Razões para mandar “A Portuguesa” para a reciclagem? Os autores da petição defendem que “o tempo dos ‘heróis do mar’ já lá vai há muito”; e que “os portugueses já não são um ‘nobre povo’, nem uma ‘nação valente’”. Em suma: “não faz sentido mantermos um hino que reflecte um nacionalismo tacanho e bélico […] e que está completamente desactualizado e desfocado da realidade do país”.
A letra de “Movimento Perpétuo Associativo” está muito mais próxima daquilo que é o pensamento português. Basta confrontar os primeiros e últimos versos da canção:
“Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vais parar!

e

“Agora não, que falta um impresso...
Agora não, que o meu pai não quer...
Agora não, que há engarrafamentos...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...”

Naturalmente, tudo isto não passa de uma brincadeira. As 1700 pessoas que assinaram a petição não querem mesmo trocar “A Portuguesa” pelo “Movimento Perpétuo Associativo”. Trata-se apenas de uma piada e de uma forma de alertar para a necessidade de mudança de mentalidades do país. E, de facto, parece que a graçola é mais que justificada. Segundo Nuno Markl, já há por aí muita gente indignada, que anda a enviar mensagens carregadas de ira aos subscritores da petição. Parece que há pessoas que consideram a petição uma piada de mau gosto e defendem com unhas e dentes a dignidade d’A Portuguesa”.
Se o caro leitor for uma dessas pessoas de sentido de humor limitado, pode aproveitar para desabafar já aqui, porque, obviamente, eu também assinei a petição. É no final deste texto, onde diz “0 chocolates”. Não se acanhe.





(nunca é demais salientar: os Deolinda são mesmo um dos projectos musicais mais interessantes e geniais dos últimos tempos, catano!)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

constatação

“- Já tem ficha de cliente na nossa loja?
- Não.
- Então, diga-me o seu nome, por favor.
- SMF
- Profissão?
- estu… erhm… jornalista”


É estranho trocar de profissão, depois de quinze anos de “trabalho”.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

"A" opinião

A propósito da votação de hoje:

"O casamento homossexual, com a plenitude dos direitos típicos desse instituto jurídico, bem como a possibilidade de adopção reconhecida a casais homossexuais, é uma prova da maturidade das sociedades. (...) Cada Governo que adia esta questão adia a humanidade".
valter hugo mãe, escritor

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Para bom entendedor...

Lisboa, 03 Out (Lusa) - O líder nacionalista Mário Machado, hoje condenado a prisão efectiva por discriminação racial e outros crimes, mostrou-se revoltado com a sentença, sustentando que "quem merecia a prisão eram os pretos e os ciganos que andam aos tiros, como aconteceu na Quinta da Fonte".

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Há pouco, na Sic Notícias...

... os quatro elementos do Gato Fedorento admitiam que não atingiram os seus objectivos em alguns episódios do “Diz que é uma espécie de Magazine”. Que houve semanas em que o programa quase não teve graça. Que é difícil manter o nível de qualidade perante a exigência de produzir humor semanalmente.

É bom ver que, apesar do sucesso, estes humoristas continuam a ter humildade e sentido crítico. Sempre preferi as séries de sketches ao “Diz que é uma espécie de Magazine”. Acho muito mais piada ao Gato Fedorento non sense do que àquele que brinca com a actualidade. Claro que é sempre engraçado ver o RAP a imitar o Valentim Loureiro ou o Sócrates. Claro que o sketch do Marcelo Rebelo de Sousa é fantástico. Mas estes são apenas alguns momentos bons no meio de várias actuações medíocres. Havia programas em que quase não me ria, o que era impensável na altura das saudosas séries Fonseca e Meireles.

No entanto, a maioria dos portugueses parece discordar da minha opinião. E no próximo domingo, lá vamos ver o Gato Fedorento a parodiar a política nacional. Nesta altura, especula-se sobre a identidade de “Zé Carlos”, o indivíduo que vai dar nome ao programa. Ora eu, assim de repente, lembro-me deste Zé Carlos, da altura em que o Gato Fedorento tinha muita piada:





Mas o sketch mais marcante de todas as séries é, definitivamente, o que se segue. Não sei se será o melhor de todos, porque não consigo escolher o meu preferido entre tantos que gosto. Mas este é, sem dúvida, o sketch que mais vezes vi. E rio-me sempre, apesar de já saber as piadas todas de cor...

domingo, 28 de setembro de 2008

um dia, talvez emigre para a Índia

“Na Índia, milhares de fiéis reúnem-se, todos os dias, num templo consagrado à glorificação da imprensa, inclinando-se respeitosamente diante de uma grande pilha de jornais. As criticas que denunciam a falta de credibilidade dos meios de comunicação social não atingiram o seu credo. Aqui, a imprensa – toda a imprensa – tem um estatuto divino. «Veneramos todos os jornais», explicou o sacerdote do tempo, Balarma Markham, ao Hindustan Times. «Os jornais abrem os olhos, permitem tomar consciência dos problemas deste mundo, denunciando os males e os crimes da nossa sociedade. Inculcam valores humanos e impedem as pessoas de praticarem o mal»”.
in Courrier Internacional, Outubro 2008
Mundo de extremos: nuns sítios os jornais são tão desprezados, noutros são tão venerados. Um dia, talvez emigre para a Índia. Ou não. Afinal, nunca ambicionei ser deus de coisa nenhuma.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Não há coincidências

No mesmo dia em que Portugal deu mais um passo para ficar com um sistema de ensino similar ao da Finlândia, acontece isto... na Finlândia.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Paralímpicos - o final

Terminaram ontem os Jogos Paralímpicos de Pequim.
Importa, por isso, lembrar os heróis nacionais, os vencedores colectivos e a figura individual da prova
Os heróis nacionais: Um ouro, quatro pratas, dois bronzes. João Paulo Fernandes (Ouro, boccia individual BC1), António Marques (Prata. boccia individual BC1), João Paulo Fernandes, António Marques, Fernando Ferreira e Cristina Gonçales (Prata, boccia equipas mistas BC1-2), Armando Costa, Mário Peixoto e Eunice Raimundo (Bronze, boccia equipas mistas BC3), Fernando Ferreira e Bruno Valentim (Prata, boccia pares BC4), João Martins (Bronze, natação 50 metros costas S1) e Luis Gonçalves (Atletismo, 400 metros T12). Por muito que a participação nacional tenha desiludido - e desiludiu - importa louvá-los. Não porque são "coitadinhos", mas porque trazem glória e medalhas para Portugal quando apenas recebem uma ínfima parte dos apoios dados aos Olímpicos. A sua vitória também é essa: dar muito, em troca do pouco que recebem.
Também é certo que a prestação lusa ficou aquém das expectativas - e das 12 medalhas de Atenas. Acima de tudo, falhou o atletismo, até há pouco a modalidade raínha dos paralímpicos portugueses, junto com o boccia. Mas, antes de criticá-los - até porque ninguém inventou desculpas ridiculas.... talvez porque também não foram alvos de uma imensa atenção mediática... - deve-se pensar onde poderiam chegar se tivessem onde apoios devidos.
Talvez tenhamos a resposta em Londres 2012.

Os vencedores colectivos: a China. A fórmula já tinha dado frutos nos Olímpicos e repetiu-se nos Paralímpicos. Um investimento avultado e a formação, desde pequeninos, de muitos atletas, catapultou os chineses para o topo do medalheiro paralímpico. Se nos Olímpicos a já vitória tinha sido em larga escala, mas apenas nas medalhas de ouro (no total, os EUA levaram a melhor: 112 contra 110); já nos Paralímpicos o triunfo foi completamente avassalador: 89 medalhas de ouro e 211 no total. Ou seja, mais do dobro do segundo classificado, o Reino Unido (com 42 ouros e 102 medalhas) e ainda mais à frente do grande rival político-económico-desportivo, os EUA. Os estado-unidenses apenas foram terceiros (com 36 medalhas douradas e um total de 99 metais...).

A figura individual: Oscar Pistorius. O velocista sul-africano que tentou participar nos Jogos Olimpicos (JO) -sem sucesso - foi o protagonista principal dos Jogos Paralímpicos. Um mês depois de Usain Bolt, foi ele a brilhar no Estádio do Ninho de Pássaro, ganhando o ouro dos 100, 200 e 400 metros na sua categoria. Recorde-se que Pistorius se tornou célebre devido a sua luta judicial para participar nos JO. A federação internacional de atletismo queria vedar-lhe a participação porque as próteses de aço (que usa em ambas as pernas) poderiam ser... uma vantagem em relação aos adversários. O recurso à justiça desportiva deu-lhe razão, mas acabou por não conseguir os tempos de qualificação. Vingou-se nos Paralímpicos... e agora promete voltar em Londres... novamente de olho nos JO.

o músico do diospiro

Ao contrário do que possa parecer, este indivíduo não está apenas a tentar ouvir os batimentos cardíacos de uma torneira. O senhor do chapéu esquisito não é louco. Na verdade, trata-se de um artista que, na foto, está a trabalhar numa performance musical.
João Ricardo de Barros Oliveira é músico-escultor sonoro. Recolhe lixo e, com ele, explora sons. É para isso que este homem se levanta todos os dias: para remexer em caixotes do lixo e ouvir ruídos até à exaustão. Diz que não gosta mais de uns sons que outros, apenas quer descobrir mais e mais sonoridades diferentes.
O indivíduo do chapéu esquisito não é louco, mas tem qualquer coisa de louco. É uma figura caricata, desde a forma como se veste à forma como fala.
Conheci João Oliveira ainda há pouco, através de um documentário sobre o seu trabalho. Acontece que, desse documentário ("Lapsus Sonorus", de Luís Margalhau), não é o trabalho do músico-escultor sonoro que fica na memória, mas sim a personagem João Oliveira. De repente, dei comigo a rir-me com um filme que era suposto ser informação e não comédia.
Destaco três momentos, através das palavras do próprio João Oliveira:

- “O meu sonho é tocar com 50 aspiradores na orquestra sinfónica de Berlim” (este até é relativamente normal, tendo em conta a profissão do senhor)

- “Um dia esqueci-me da minha namorada num caixote do lixo”.
Como? João Oliveira estava a passear com a companheira quando, a meio de uma “conversa de namorados”, viu um caixote do lixo que o deixou louco. Correu para lá. Observou, remexeu, explorou. Não sei durante quanto tempo é que esteve alheado do mundo, mas João Oliveira conta que a certa altura desceu à terra e pensou “espera lá, eu estava acompanhado”. Entretanto, a namorada (naturalmente) já tinha desaparecido.

- “A minha inspiração vem também muito do dióspiro. Gosto muito de dióspiros”.
Esta é a minha preferida. João Oliveira é um homem que usa um chapéu estranho, recolhe lixo, passa o dia enfiado numa cacofonia tremenda à procura de qualquer coisa que faça sentido e, para conjugar o som de parafusos e aspiradores, inspira-se em… dióspiros. E diz isto com a maior calma e seriedade do mundo, como se houvesse uma relação óbvia entre o dióspiro e uma sinfonia de torneiras a chiar. Eu – apesar de até achar piada ao trabalho desenvolvido por João Oliveira – não pude conter o riso.

Em suma: não sei onde se vende (ou sequer se está à venda em algum lado) o documentário “Lapsus Sonorus”. Mas, se tiverem oportunidade, dêem uma espreitadela, quanto mais não seja pelo caricato da coisa. Há por aí gente muito estranha. E há gente estranha que até faz umas coisas engraçadas. Aqui, podem conhecer a personagem João Oliveira e alguns dos seus projectos.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

o taxista

O jovem repórter ligou para o serviço Rádio Táxis e pediu um serviço especial para o Estádio. O táxi chegou prontamente. "Boa tarde. É para o Estádio, por favor", pediu educadamente. O taxista, de careca premente, raosto balofo e corpo anafado, contraiu os músculos da face. "Ai que caralho, se soubesse que era para ir para a confusão não tinha aceite o serviço, que merda, foda-se". De gestos rudes mas macilentos, prosseguiu a retórica. O jovem repórter ignorou-o com uma frase: "pois, lamento. Eu é que não tenho culpa disso". E manteve a mesmo desprezo benovolente enquanto ouvia o 'xófer' grunho, discorrer "os lampiões filhos da puta vão perder amanhã", "aquela ali está velha mas bem conservada, ainda a deixava entrar se fizesse um bóbó".
Chegaram à rua perpendicular ao Estádio. "Sugiro que saia aqui, para não perder mais tempo nem apanhar mais trânsito". O jovem repórter anuiu: "sim, mas pode ser mais à frente". "São cinco e noventa e cinco. Mas pode arredondar para sete ou oito e dizer lá no jornal que apanhou trânsito", sugeriu o motorista avesso a trânsito. "Com certeza que arredondo. Aqui está: seis euros". "Boa tarde" - saiu, bateu com a porta, e sorriu no misto de compaixão e benevolência dos cinco cêntimos de gorjeta.

Rua Sésamo, eu quero ir


Espectáculos
Rua Sésamo ao Vivo - Espectáculo Infantil
21 a 23 de Novembro

Ninguém resiste à Rua Sésamo, incluindo os actores e músicos que participam com as suas vozes na versão portuguesa, um elenco de luxo composto por Sérgio Godinho, Nuno Lopes, Henrique Feist, Susana Félix, JP Simões, Tânia Ribas de Oliveira, Paula Oliveira, Filipa Pais, João Nuno Martins e Ricardo Spínola. A tradução e adaptação do texto original ficaram a cargo de Tiago Torres da Silva, assim como a direcção de actores nas dobragens. Paula Oliveira é a directora musical.
in Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz

Serei a única a achar que o público-alvo do espectáculo da Rua Sésamo não são as crianças? Os miúdos de hoje não gostam da Rua Sésamo; gostam do Rucca, do Noddy e do Bob, o Construtor. Quando muito, simpatizam com o Abre-te Sésamo, o programa que a RTP2 exibe de manhã e onde entram os saudosos Egas, Becas e Monstro das Bolachas. Mas o Abre-te Sésamo está muito longe daquilo que era a Rua Sésamo. Falta o Poupas Amarelo. Faltam as personagens de carne e osso, que se misturavam com a bonecada. Falta o Gualter. Falta o coro de crianças a cantar "vem brincar, traz um amigo teu", no genérico. Falta aquela simplicidade tosca de uma televisão ainda bebé.
Os verdadeiros fãs da Rua Sésamo têm agora vinte e poucos anos. E eu faço parte do grupo, obviamente. Aprendi as primeiras letras com a Rua Sésamo; comi muitos pães com tuli-creme enquanto via o Poupas à conversa com a Alexandra Lencastre; não perdia um episódio e sabia aquelas estórias todas de cor. Agora, tenho razões para entrar em delírio: ícones do presente (ícones no verdadeiro sentido do termo, não confundir com o reality show online de que se fala por aí), como JP Simões, Sérgio Godinho e Nuno Lopes, vão dar voz a uma das minhas mais doces recordações de infância.
Eu quero, mesmo, ir ver o espectáculo ao CAE. Serei a única adulta a ter este desejo? Será que posso levar um pão com tuli-creme, para me sentir de novo com cinco anos?


domingo, 14 de setembro de 2008

Depressão pós-férias inexistentes

A época balnear acaba amanhã e eu descobri hoje que já tenho saudades da praia que quase não tive. Vou continuar a ter o mar a cinco minutos de distância, é certo. Vou continuar a passear pela praia, com certeza. Mas, a partir do Outono, o areal deixa fugir a (por vezes excessiva) alegria que o povoa na época balnear e torna-se num local nostálgico, propício a reflexões mais ou menos pertinentes e a buscas no baú das memórias.
Acabaram-se as longas conversas estendidas numa toalha soalheira, os passeios à beira-mar com os pés debaixo do oceano, os mergulhos na espécie de arca frigorífica que é o Atlântico. Acabaram-se as esplanadas alimentadas a tremoços, pevides e caju, e regadas a finos. Acabaram-se os gelados à beira mar. Os “avecs” foram-se embora das praias do concelho da Figueira da Foz e aposto que os “tios” de Cascais também já deixaram S. Martinho do Porto.
E eu, que já deixei de fazer praia de biquíni e protector solar há um mês, dava tudo para fugir a esta melancolia que me assola e refugiar-me num qualquer paraíso tropical, para desfrutar das férias que não tive (e não vou ter), na companhia que me faz falta.

há programas de televisão fantásticos, não há?

Alguém me consegue explicar em que medida é que o momento que se segue - desde o guarda-roupa da apresentadora, à letra, melodia e coreografia da música - se insere num programa infantil?





Alguém me sabe explicar em que medida é que afirmar publicamente que se pagou para ter sexo "porque era um dia de festa e era para festejar um coisa" é razão para ganhar dinheiro? E, pior, que interesse é que tamanha revelação tem para os milhões de telespectadores que assistem à confissão do outro lado do ecrã?




Pois, logo vi que eram perguntas demasiado complexas para o leitor me responder.

sábado, 13 de setembro de 2008

Quando se assiste à cerimónia religiosa de um casamento

e lá se fala de "união de carnes", "inter-penetração" e "posição do carrinho de mão"* é porque algo está a mudar na igreja católica.

* ok, na verdade não se fala desta última, mas não deixava de ser engraçado.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

untitled

O homem do dia:



A frase a estampar nas t-shirts do futuro:
"Vayanse al carajo yankees de mierda, que aquí hay un pueblo digno"

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O horror é o mesmo, só mudam os algozes

11 Setembro 2001. O horror: Al Qaeda sequestra aviões, destrói completamente o World Trade Center (Nova Iorque) e parcialmente o Pentágono (Washington) e mata quase três mil pessoas. Os algozes: a Al Qaeda e os fundamentalistas islâmicos.

11 Setembro 1973. O horror: Salvador Allende, chefe de Estado chileno, democráticamente eleito, é brutalmente assassinado na sequência de um golpe encabeçado pelo carniceiro Augusto Pinochet - que haveria de fazer milhares de vítimas durante as quase duas décadas em que governou o Chile com "mão de ferro". Os algozes: Pinochet e os EUA, que apoiaram o golpe.

11 Setembro 1942. O horror: Bento Gonçalves, operário, activista e dirigente sindical, morre no campo de concentração do Tarrafal, para onde fora enviado por ser opositor do regime ditatorial de António de Oliveira Salazar. Os algozes: Salazar e o seu regime pidesco - embora a PIDE só viesse a ser criada em 1945.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

(António) Marinho (e) Pinto

O actual Bastonário da Ordem dos Advogados tem uma relação algo estranha com o seu nome próprio. Não é nada que tenha descoberto só agora mas, esta amanhã, ao vê-lo no programa “Fátima”, lembrei-me desta velha questão. O que se passa é o seguinte:

1. Eu tive um professor de Direito da Comunicação chamado António Marinho Pinto. Esse professor era também advogado e jornalista. Contudo, enquanto jornalista, o meu professor respondia apenas por António Marinho.
2. A certa altura, surgiu a dúvida: o nome correcto do professor, advogado e jornalista seria António Marinho Pinto ou António Marinho e Pinto? A dúvida nunca foi esclarecida e deve continuar a atormentar alguns jornalistas. É que, quando o meu professor foi eleito Bastonário, houve jornais que lhe chamaram Marinho Pinto e outros que preferiram a designação Marinho e Pinto.
3. Em 2007, o meu professor colaborou com a revista Via Latina (cuja direcção eu integrava). Surpresa: o texto vinha assinado por um tal de A. Marinho e Pinto, advogado e ex-Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados.
4. Hoje, Fátima Lopes anunciou a entrada do (pelos vistos, habitual) comentador do programa, António Marinho.

Afinal, em que é que ficamos? Será uma espécie de nome artístico, uma forma de ele próprio distinguir os cargos que ocupa? Nesse caso será algo do género:
- António Marinho Pinto, o professor que recorre sempre ao exemplo "a SMF furtou um queijo"* e, para alguns jornalistas, Bastonário
- António Marinho e Pinto, o advogado e, para outros jornalistas, Bastonário
- António Marinho, o jornalista e estrela do horário da manhã da televisão portuguesa
- A.Marinho e Pinto, o ex-Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados que, gentilmente, colabora com as revistas da estudantada


* Explicação para quem não viveu a experiência de ter uma ou duas aulas com Marinho Pinto: na maioria das vezes em que o meu professor queria explicar a aplicação prática de uma qualquer lei, recorria ao exemplo (fictício) da pessoa X (nome de um dos elementos da turma), que, na véspera daquela aula, tinha furtado um queijo.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Paralímpicos III

Numa atitude um pouco pedante, SMF veio para aqui colocar vídeos e ensinar regras do boccia, como que colocando um "muito incompleto" (um sinal de "certo", com vários tracinhos) sobre o meu último post.
Muito me aprouveria responder-lhe, mas não vou fazê-lo.
Vou apenas lembrar-lhe que este blog é originário de Portugal, e aqui Beijing se escreve Pequim.

E agora vou calar-me, porque hoje o importante é isto.

Bem hajam, João Paulo Fernandes e António Marques.

ps: humildemente tenho de admitir que só não expus aqui o vídeo nem as regrar do boccia devido a um dos sete pecados mortais: a preguiça. Mas isso não muda o que disse acima: embora não pareça, SMF também é preguiçosa.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Paralímpicos II

RMS sugeriu aos dois leitores do beethoven-de-chocolate que pesquisassem no site que tem todos os vídeos do mundo (e um ou outro de Marte) pelo momento do acender da pira olímpica. Ora, como não queremos aborrecer o leitor com pesquisas que se podem revelar demoradas, hoje colocamos aqui o vídeo. Veja e diga de sua justiça.



RMS insinuava também desconhecer as regras do Boccia. Parece-me que estou em condições de as explicar. Não, caro leitor, os papéis não se inverteram: o especialista em desporto aqui do estaminé continua a ser RMS; a ignorante em tudo o que envolve esforço físico continuo a ser eu. Contudo, sou curiosa e, já antes de RMS ter lançado a questão aqui no beethoven, me tinha informado sobre as especificidades do Boccia. Afinal, até é fácil: os atletas - que têm todos paralisia cerebral ou doenças neuro-musculares e estão em cadeiras de rodas - atiram uma bola branca para o chão. Depois, atiram outras bolas vermelhas, de pele, que têm de ficar o mais próximo possivel do alvo (a bola branca). Ganha mais pontos quem conseguir colocar mais bolas vermelhas perto da branca. O Boccia pode ser praticado individualmente, a pares, ou em equipas de três elementos.

Resta-me acrescentar que, nos jogos de Atenas, em 2004, Portugal ganhou seis medalhas no Boccia. Seis, caro leitor. Num só ano, numa só modalidade. Parece que os atletas paralímpicos preferem concentrar-se realmente na modalidade em que participam, em vez de lutar pela medalha de melhor desculpa (lembram-se?)

Este ano, os atletas de boccia continuam no bom caminho: João Paulo Fernandes, António Marques e Mário Peixoto já garantiram a presença nas meias-finais.

Os autores do Beethoven-de-chocolate gostam de pensar que são lidos em todo o mundo e, por isso, deixam aqui uma mensagem de boa sorte para estes três atletas do Boccia e para todos os outros paralímpicos portugueses.

Toda a actualidade sobre os Paralímpicos passará por aqui, nos próximos dias, com quem sabe do assunto. Não me vou intrometer mais em temáticas alheias, mas estou certa que RMS se vai empenhar em contar ao leitor tudo o que se passa em Beijing.

domingo, 7 de setembro de 2008

Paralímpicos

Regressando ao tom sério a que este blog (não) habituou os seus leitores, hoje vai-se falar dos Jogos Paralímpicos, que ontem se iniciaram em Pequim.
Mais do que pedir encarecidamente que alguém me explique as regras do Boccia (e, já agora, do Curling, aquele desporto em que andam a esfregar o gelo... pois é uma aprendizagem que já fica para os próximos Jogos Olímpicos de Inverno), este post serve para revelar que o Beethoven-de-Chocolate - na minha pessoa - pretende fazer uma cobertura atenta deste evento tantas vezes descriminado em prole dos Jogos ditos-normais.

Como tal, pretendo mandar as mesmas larachas sobre os Paralímpicos que mandei sobre os Olímpicos, começando já pela cerimónia de abertura. Aí, recomendo que todos vão ao You Tube procura o momento do acender da pira olímpica. É simplesmente impressionante e majestoso. Nele vê-se um campeão chinês [cujo nome não é referido no DN e Público de hoje], amputado de um perna, ser içado em cadeira de rodas e subir, apenas com a força manual, até à pira olímpica, onde fez brilhar a chama do maior espectáculo desportivo pela afirmação da diferença.

A cobertura paralímpica segue dentro de momentos.

PS1. A exemplo dos "fraudes" da cerimónia de abertura dos Olímpicos, o que será que os chineses falsearam na dos paralímpicos. Será que amputaram alguns dissidentes bonitinhos, de propósito. só para abrilhantar a festa?

PS2. Não posso deixar passar a data em claro. Faz hoje 40 anos que Salazar foi operado à cabeça após a sua queda da cadeira. É uma efeméride que merece ser celebrada, pois foi a 7 de Setembro de 1968 que o País se apercebeu, enfim, da falibilidade do "Botas".
Curiosidade: sabiam que o DN ajudou a deitar abaixo o ditador? É verdade. Salazar estava a ler o Diário de Notícias, quando, distraído, se deixou cair na cadeira de lona, que, heróicamente, se desfez ante o peso do primeiro serial-killer de Santa Comba.

sábado, 6 de setembro de 2008

Eu, pecador, me confesso: a culpa é do Tarantino

Hoje, quando me aprestava a apanhar o sempre fiável comboio InterCidades Porto Campanhã-Coimbra não resisti a comprar o Diário de Notícias e o Correio da Manhã, essa dupla de jornais que foram, em tempos, ying e o yang da imprensa portuguesa.
Se comprei o DN por gosto pessoal e “amor à camisola”, a compra o CM teve motivos bem mais terra-a-terra: a oferta do DVD do fabuloso Kill Bill 1, de Quentin Tarantino.

Mas foi essa mesma compra que me possibilitou conhecer essa publicação excepcional, a todos os níveis, que é a revista Vidas.
Para quem não sabe (e vive na feliz ignorância), eu passo a explicar: a Vidas é uma revista que sai aos sábados com o jornal Correio da Manhã. E, embora não assuma o seu cariz humorístico, em dias bons conseguirá, com certeza, sacar tantas gargalhadas quanto o Inimigo Público (o jornal de humor que traz, às sextas, como suplemento, o Público).

Mas, de que é feita a Vidas? Generalizando, é uma revista de fofocas, de cabeçalho cor-de-rosa. No seu interior tem ‘cusquices’ sobre a vida de famosos e até um interessante “consultório sexual”. Portanto, conteúdos de fazer inveja à revista Maria.

Contudo, após uma leitura atenta, a Vidas consegue marcar a diferença. Para vê-lo, bastaria atentar em rubricas como “feng shui”, “sexo virtual”, “Maya responde”, “éfe-érre-á” ou “no ginásio com…” (a minha preferida). Mas como não reparar no espaço “Você decide”, onde os leitores podem opinar, respondendo “sim” ou “não” às questões “A alegada separação de Rita [Pereira] e Angélico é marketing?” e “Angelina Jolie enfrenta depressão pós-parto?”. Será que ainda ninguém percebeu que é para coisas como estas que a democracia é um bem inalienável?

Porém, meus amigos, guardei o melhor para o fim.
Até aqui, a Vidas revelara-se uma revista cor-de-rosa, de pendor marcadamente feminino. Mas o que dizer das páginas em que uma personalidade feminina, de curvas assinaláveis, é fotografada em trajes menores? Nesta edição, a “cantora” Vânia, das Delirium, surge numa lingerie sexy, sobre uma mesa de bilhar, segurando o taco, como que dizendo “caro leitor-homem da Vidas, este espaço é para si”. Em suma, a Vidas não só é uma revista de casa de banho, como ainda faz um apelo descarado a que uma pessoa se "toque no banho" [ndr: masturbação]. Não será altura da igreja católica tomar medidas?

Maldito sejas, Quentin Tarantino!

PS. Deus decidiu castigar-me, com certeza por ter comprado o CM. Hoje poderia ter ganho um prémio no totobola não fosse Ele ter feito o milagre de Cluj: Roménia-0-3-Lituânia.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Sra. Saudade

M. lutava todos os dias contra as garras do passado. Esperneava, gritava, tentava escapar às recordações que a prendiam e não a deixavam seguir para o futuro. Em vão. A Sra. Saudade era mais forte que ela. M. era franzina, enquanto a Sr. Saudade apresentava a forma física de quem faz trinta e nove piscinas de mariposa logo pela manhã. Mas o poder da Sra. Saudade estava, sobretudo, na sua força psicológica. Ela sabia como deixar M. quedada, incapaz de apreciar o presente e disposta a odiar o futuro estupidamente vazio de sentido que estava para vir. Sem avisar, a Sra. Saudade atirava lembranças felizes contra M., que não tinha tempo de se desviar. Às vezes, M. sofria autênticos bombardeios de memórias. E as feridas acumulavam-se, tornando o já frágil corpo de M. cada vez mais vulnerável. As dores eram lancinantes, no entanto M. não chorava. Não porque conseguisse resistir à tentação, mas porque o seu saco lacrimal há muito tinha secado para sempre.
M. lembra ainda todos os pormenores do dia em que deixou de ser avassaladoramente feliz. Na altura, sentou-se no chão do corredor e chorou (tudo), abraçada aos caixotes das recordações. Foi a partir dessa data (parece ontem e afinal já foi há tanto tempo, reflecte M.) que a Sra. Saudade começou a infiltrar-se em todos os seus sonos, distracções, devaneios e pensamentos vagos, transformando tudo num sonho infinitamente triste.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

| interlúdio |

Era um homem esguio. Gostava de música clássica, lia Dostoievski, comia brioches. Naquele dia ouviu a canção da canção da lua. "A vida é esta merda, dela só o cheiro se herda, trocamos os sonhos por qualquer porcaria". Não podia deixar de pensar na certeza da letra. Mas as palavras já lhe saiam em soluções vulcânicos: "Hoje a perdição será a busca da eternidade. Partamos, sem razão aparente, rumo ao desconhecido. Aqui nada se aprende. Do restolho humano nada sobra senão sangue, sémen, suor e corpos putrefactos. Já nós seremos eternos".

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

e a fome aqui tão perto

sete milhões de ucranianos morreram à fome nos anos trinta e dois e trinta e três do século vinte, e a ekaterina sentava-se à sua mesa como aterrorizada com a falta de sopa por um dia que fosse. para si, a fome era algo que a observava de perto, como se estivesse à espera de uma distracção sua para a abater. a grande fome ucraniana sentava-se todos os dias à mesa da ekaterina e do sasha, que ficavam a gerir as sopas, mesmo as mais fartas, com o compromisso de quem, mais tarde ou mais cedo, não teria o que comer. era o século XX todo em cima das suas cabeças. os sete milhões de mortos à fome, os sete milhões de mortos na segunda guerra mundial, e os mortos mais os afectados pela catástrofe de chernobil. na cozinha dos shevchenko sentavam-se mais de catorze milhões de mortos a olhar para o prato da sopa.

valter hugo mãe, o apocalipse dos trabalhadores

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A brincar com as bolinhas do sorteio

Daqui a pouco realiza-se o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões.
O meu grupo preferido era este: Lyon, FC Porto, Basileia e BATE Borisov.
Mas já em criança tinha a saudável distracção de encenar os sorteios. E saí-me bem. Hoje, as bolinhas vão ditar isto:
Grupo D: Chelsea, FC Porto, Marselha e Anorthosis.
Grupo F: Manchester United, Sporting, Fenerbahçe e Cluj.
Vai uma aposta?

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Adeus, Travian

"Caros jogadores de Travian,
O sol já se tinha levantado mas os trabalhadores da metrópoles WWK GOP WW continuaram a trabalhar para acabar o seu prodigioso monumento. Hoje, 27.08.08 pelas 00:38, um trabalhador terminou aquele que é, provavelmente, o maior e mais formidável edifício na história de Travian desde a queda do império dos Natars.
Juntamente com a sua aliança WWKGOP R" o "moki" foi o primeiro a terminar a sua construção usando milhões de recursos e protegendo-o com centenas de milhares de bravos defensores, recebendo assim o título de “vencedor desta era”.
No final o "JMLF" foi governador do mais grandioso império seguido de perto pelo "Trombadinha" e UlissesLeo".
O mais poderoso e mais temido comandante foi "stblink" assim como doraemonpt foi o mais glorioso defensor assassinando as hostes inimigas às suas portas manchando as terras à volta das suas aldeias com o seu sangue.
Nós como equipa de administração do Travian queremos agradecer a quem permaneceu até ao final pela sua inestimável lealdade e compreensão mostrando-nos quando algo não corria tão bem como devia.
Os melhores cumprimentos,
A vossa equipa Travian"


Assim terminou um ciclo atípico da minha vida. Nunca fui muita dada a jogos, muito menos a jogos online, que exigem grande disponibilidade de tempo. Mas o travian é uma recordação engraçada, que trouxe do estágio no JN. Foi lá que, em Setembro, me deixei conquistar pelo vício que consumia uma boa parte da redacção. Agora que o jogo acabou, do estágio já só restam mesmo as saudades.
Naturalmente, não me vou meter num vício semelhante ao travian nos próximos tempos. Aliás, ultimamente, já jogava com “sacrifício pessoal” (como dizia o outro). Na semana passada até me esqueci de jogar durante três dias, o que me fez ficar com bola vermelha. Na verdade, contribuí para o fracasso da minha aliança, que era considerada por muitos favorita à vitória do servidor e acabou por perder... [caro leitor, se não é travianólico ignore todas estas referências a bolas vermelhas, alianças e servidor. Obrigada]

Agora, aguardo ansiosamente por um novo vício parvo. Sim, porque os jornalistas (ou serei só eu?) têm sempre um vício estúpido para entremear com o trabalho em frente ao computador. Nos tempos da Cabra e da saudosa Secção de Jornalismo (humpf!) jogava puzzle booble; no JN reinava o travian. E seguir, o que virá? Aceitam-se sugestões ;)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

momentos

Ele fora renovar o Cartão Jovem a uma estação dos correios de uma cidade do centro do país. Enquanto o atendia, a funcionária dialogova com uma colega, alta voz, para quem queria ouvir.
"Funcionária 1 - Ela até te ultrapassa.
Funcionária 2 - Não, mesmo assim não.
F1 - Mas não ficaram assim depois de amamentares?
F2 - Não, até ficaram maiores.
F1 - Pois... mas ficaram mais flácidas?
F2 - Não, até estão mais rijas.
F1 - São oito euros, por favor."

Jurou que, da próxima vez, renova o cartão através da internet.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Opção de vida

Vou passar a fazer aniversário todos os meses. Os meus conhecimentos de matemática – bem inferiores aos de uma criança de dez anos – são suficientes para perceber que o meu mealheiro enche mais facilmente num só dia de aniversário do que num mês de trabalho como jornalista precária.

domingo, 24 de agosto de 2008

Adeus olímpico

Os Jogos Olímpicos de Pequim 2008 chegaram hoje ao fim com dois homens e uma nação a entrarem para a história. O maior atleta olímpico de sempre (Michael Phelps) e o homem mais rápido do Mundo (Usain Bolt) foram as duas grandes figuras dos Jogos e só não assumiram maior protagonismo porque Pequim assistiu também à afirmação da China como novo potência desportiva. Uma afirmação conseguida à custa de modalidades que no Ocidente são consideradas menores (ginásticas, ténis de mesa ou halterofilismo) é certo, mas mais uma prova do expansionismo do império do Meio, em vias de tornar-se a maior potência económica, desportiva - e quiçá política e militar - do Mundo.

Quanto à prestação desportiva portuguesa, julgo que fica bem resumida neste curto texto que fiz há pouco para o DN:
"Apesar das duas medalhas e sete diplomas, não há como fugir-lhe: a prestação portuguesa em Pequim ficou àquem das expectativas.
O líder do Comité Olímpico de Portugal, Vicente Moura, apostara na conquista de quatro (ou cinco) medalhas e de 60 pontos. A representação lusa ficou-se por menos de metade. Nelson Évora e Vanessa Fernandes cumpriram o esperado e Gustavo Lima ficou muito perto. De resto, houve surpresas na marcha e no remo e Pedro Póvoa (taekwondo) até foi 7º, apesar de não vencer qualquer combate. No judo e na vela, quase todos ficaram em posições cimeiras (top-12), mas falharam na aproximação às medalhas - Telma Monteiro à cabeça.
De resto, o currículo de Naide Gomes (campeã da Europa em 2006) e João Costa (nº 1 do Mundo em pistola livre) prometia mais do que a eliminação precoce. No atletismo, o grosso da comitiva ficou àquem dos máximos pessoais; na natação salvaram-se alguns recordes".

Já a inexperiência mediática / soninho de Marco Fortes ou o comportamento "político" vergonhosos de Vicente Moura são contas de outro rosário.

sábado, 23 de agosto de 2008

Constatação

Mikael Carreira canta o sofrimento de um quarentão largado pela mulher mas não tem sequer uma pontinha de barba a despontar na cara.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Double Post: a resposta

Parte 1
Ontem, SMF pediu o apocalipse dos trabalhadores, de valter hugo mãe. Hoje SMF recebeu o apocalipse dos trabalhadores, de valter hugo mãe. Neste blog as coisas funcionam assim. Eu quero cinco milhões de euros e um pão com Nutella, faxabor.

Parte 2
O desempenho de Nelson Évora na final do triplo salto é, a todos os títulos, louvável. E a sua humildade rima com grandeza quando comparada com o mau perder do inglês arrogante de cabelo esquisito.
Mas ontem Portugal também ganhou outra medalha, a do oportunismo político. E isso é pena.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Double post

Parte 1

Quero este:



Só para ficar sabedor [ler com sotaque brasileiro, p.f., para ter alguma piada].


Parte 2

Ainda que pasta “Jogos Olímpicos” pertença (justamente) ao meu companheiro de bloguíces, não posso deixar de assinalar a vitória conquistada hoje por Nelson Évora. Apesar de todos os exageros a que vamos assistir nos próximos dias – Nelson Évora e Vanessa Fernandes vão ser repetidamente lembrados como os heróis cá do bairro, com enjoativas homenagens nos media; as polémicas em torno dos atletas que gostam de estar na caminha ou dos cavalos que se assustam com as luzes dos ecrãs vão ser esquecidas (Vicente Moura afinal até já vai repensar a candidatura em 2009!); por uns tempos, os portugueses não se vão lembrar da badalada crise económica, das brincadeiras de Cavaco Silva, do regresso de férias de Sócrates, dos tiroteios, assaltos, mortes e insegurança que se diz que ameaçam o país, nem do final de mais um namoro de Elsa Raposo – estou orgulhosa do rapaz (e da Vanessa também, claro).

Faz bem ao país ter alguém que, de vez em quando, se destaque pela positiva em alguma coisa. Faz bem ao país encher-se de orgulho e patriotismo por causa de qualquer outro desporto que não o futebol. Faz bem ao país ver que ainda há jovens que são bons naquilo que fazem, que lutam, alcançam os seus objectivos e (bónus!) conservam a sua humildade. Por isso, amanhã talvez até alinhe um pouco na onda de nacionalismo exacerbado. Mas, calma, conto voltar ao estado normal logo no sábado.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

humor olímpico

Ponto prévio: não acho que os 14 milhões de euros alegadamente investidos no projecto olímpico português tenham sido mal gastos. Há casos bem mais graves de desbaratamento de dinheiros públicos e nem é preciso falar de alguns dos estádios do Euro 2004.
Além disso, não faz sentido o argumento "se é para nos envergonharem, mais vale não irem". Se apenas forem os melhores dos melhores aos Jogos Olímpicos, Portugal há-de levar continuamente uma comitiva de 15/20 pessoas e os outros atletas/desportos hão-de prosseguir sem perspectivas de evolução. É isso que queremos? Eu acho que não. E da mesma forma que há portugueses com desempenhos sofríveis, também haverá chineses, estado-unidenses e britânicos nas mesmas condições. A diferença é que eles são muitos e um fracasso não dá tanto nas vistas...
Da mesma forma, é evidente que há casos de atletas com uma manifesta falta de jeito (ou prática) para lidar com os jornalistas (essa classe horrível) que por isso dizem aquilo que não querem ou que não pensaram - sim, também atletas olimpicos que não pensam, isso não acontece só no futebol.


Feita esta declaração de interesses, importa referir que tal não me impede de rir a valer dos epísódios mais caricatos da missão olímpica portuguesa.
Nesse aspecto, dois senhores da escrita criativa, Jorge Vaz Nande e João Miguel Tavares [peço o kink emprestado a outro blog, porque o site do DN ainda não é aquilo que há-de ser], deram-me uma grande ajuda.

Mas não é possível ficar por aí sem lembrar dois episódios curiosos do dia de hoje:
1. No taekwondo (prova com 16 concorrentes), Pedro Póvoa perdeu um combate, foi repescado e perdeu outro combate. Saldo final: dois combates, duas derrotas. Posição? 7º lugar.
Alguém que perceba minimamente de taekwondo (da vasta falange de leitores do beethoven-de-chocolate, alguém há-de perceber...) consegue explicar-me como é que o moço perdeu dois combates e chegou ao sétimo lugar?
Ok, talvez seja melhor não explicarem. Prefiro ficar a saborear a melhor prestação portuguesa dos Jogos Olímpicos. Afinal, com duas derrotas, Pedro Póvoa deu dois pontos a Portugal na classificação final dos Jogos (melhor, só Vanessa Fernandes e Gustavo Lima). [NDR: as classificações olímpicas do 1º ao 8º posto recebem pontuações de oito até um ponto, respectivamente].
2. Na prova de maratona de águas abertas (natação), participou a sul-africana Natalie Du Toit. O extraordinário do facto é que Natalie é amputada (da perna esquerda) e se tornou na primeira mulher nessa condição a participar nos Jogos Olimpicos. Explicação extra: Natalie nadou dez quilómetros - a prova dura cerca de duas hora - só com uma perna, sem prótese, e ficou no 16º lugar, entre 25 participantes. Bónus: a portuguesa Daniela Inácio ficou em 17º.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

O ladrão é sempre o mais esperto

Caro leitor: se, ao abastecer o seu carro numa gasolineira do distrito de Leiria, lhe for pedido para pagar antes de colocar a bomba no depósito, não se admire. A culpa é do “mecânico ladrão”.

Há um homem que se mascara de mecânico e rouba gasóleo um pouco por todo o distrito de Leiria. O procedimento é simples: o indivíduo chega numa carrinha Kangoo branca, cuja matrícula foi roubada a um pombalense [Estranhamente, a matrícula não é francesa, apesar da quantidade de emigrantes que povoa a cidade em Agosto. É que, actualmente, há em Pombal cinco carros estrangeiros para cada viatura portuguesa. Não fiz as contas, mas tenho a certeza que é mais ou menos isto.], enche 10 ou 15 “jarricans” e vai embora, como se o serviço fosse gratuito. De vez em quando, o mecânico aparece de cabelo comprido; outras vezes, surge de cabeleira branca e óculos de massa. A carrinha, essa é sempre a mesma.

Ora, o que me surpreende nesta história não é a facilidade com que o ladrão rouba gasolina como se fosse ao quintal buscar um raminho de salsa, mas sim a forma astuta como a funcionária de uma gasolineira lidou com a situação. A senhora viu chegar um mecânico numa carrinha branca, juntou 2+2 e percebeu estar na presença do ladrão. Decidiu logo desmascará-lo. Como? Perguntando, com toda a delicadeza: “O senhor desta vez vai pagar o combustível que está a colocar aí nesses jarricans?”. Por esta é que o falso mecânico não esperava, de certeza.

Contudo, o engenho da funcionária não valeu de muito. É que o mecânico, para além de ser ladrão, é também mentiroso. Vejam bem: o homem disse que sim, que ia pagar a despesa; mas, mal a empregada se distraiu, acelerou dali para fora, tal como fizera nas outras vezes. Ora bolas! Não era de esperar tamanha ousadia! Perante a delicadeza da senhora, esperava-se sinceridade da parte do ladrão. Ele podia ter dito que não estava disposto a pagar pelo gasóleo. Com certeza, a funcionária ia compreender. Agora, mentir? Fugir mal a senhora vira costas?

Os ladrões são mesmo pessoas sem valores. Ou então são, simplesmente, mais espertos do que certas empregadas de gasolineira.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Glória portuguesa & debalde chinês

Hoje aconteceu algo extremamente irónico - e icónico - em Pequim.

- Uma nação rica em sonhos e pobre em heróis, conseguiu a sua primeira medalha desta edição dos Jogos Olímpicos. A prata conquistada por Vanessa Fernandes na prova feminina de triatlo é uma vitória francamente 'tuga'. Não só pelo espírito de sacríficio e humildade da atleta como, principalmente, pelos pormenores. Alguem reparou nos gritos de incentivo de Venceslau Fernandes para a filha, durante a prova - "Sofre, Vanessa!! Sofre!"? Há algo mais deliciosamente tuga do que isso?
Mais a sério, a miúda é grande - e como é estranho chamar miúda a alguém que acabou de sagrar vice-campeã olímpica - e tem razão quando admite que a prata lhe soube a ouro. Porque a Vanessa que nos épocas anteriores ganhava tudo não era a mesma desta temporada - desde a malfadada campanha da Phone-ix nunca mais foi a mesma. E para a Vanessa de 2008, uma medalha de prata já é um grande resultado, que, pela sensatez e humildade das suas palavras, nos faz sonhar com algo mais... "já" em 2012.
Além disso, ganhar uma medalha numa prova em que é preciso nadar, correr e pedalar durante não sei quantos quilómetros "é de homem"! Assim como "é de homem" lembrar a falta de ambição de certos e determinados olímpicos portugueses. Bem-hajas, Vanessa.


- Ao mesmo tempo, uma nação rica em ouros e glórias [pese embora todas as reticências a nível politico e social] viu falhar o herói em quem mais confiava. Liu Xiang, campeão mundial e olímpico dos 110 metros barreiras (e figura maior do desporto local), não aguentou a pressão de ser o único chinês candidato ganhar uma medalha de ouro no belo estádio olimpico "Ninho de Pássaro". Alegou uma lesão no tendão de Aquiles e tombou derrotado como o herói da mitologia grega, depois de atingido no calcanhar. Ao falhar onde não podia fazê-lo, pôs uma nação em amarga desilusão, a chorar a sua maior humilhação olímpica [como pode ler-se num belo artigo no DN de amanhã]. Em suma: por um dia os chineses sentiram-se portugueses.

PS: Daqui a poucas horas, Gustavo Lima poderá dar a segunda medalha a Portugal, na prova de Star (Vela). A suceder (assim espero), será uma vitória completamente diferente da de Vanessa. A triatleta de Perosinho (Gaia) tem um cariz eminentemente popular. Já o velejador, enquanto velejador e residente em Cascais - assim é - irá com certeza festejar com o Martins, Bernandos, Afonsos, Dinises e Zézinhos do post de baixo. :p

domingo, 17 de agosto de 2008

De volta ao mundo real



Deixámos para trás um dos sítios em Portugal onde há mais Afonsos, Martins, Matildes, Bernardos, Dinis, Zezinhos e Pituxas (sim, ouvimos alguém chamar pelo nome Pituxa) por metro quadrado.
Para além de uma baía bonita e de uma praia óptima para descansar, descobrimos que as tias de Cascais não são uma invenção dos humoristas. Elas existem mesmo e obedecem a todos os estereótipos que conhecemos: tratam toda a gente (incluindo aos filhos) por você; têm aqueles tiques de fala do jet-set; vão para a praia de brincos e vestidos da moda; são anormalmente morenas; à noite parecem todas iguais, dentro dos seus vestidos curtos, em cima das sandálias em cunha e com os cabelos esticados até ao limite. Os homens, claro está, usam o pólo-marca-XPTO e aconchegam os ombros com uma camisolinha de malha cor-de-rosa.

Uma lição de vida que trouxemos, depois de apenas três dias fora do mundo real.


Ps. Os autores deste blog não têm nada contra os chamados “betos” e este post não pretende ser racista. Simplesmente, nunca tínhamos mesmo visto tanto “tio” junto.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Férias

Os mais revoltados já podem deixar aqui mensagens insultuosas, acusar os autores deste blog de fugir às responsabilidades e lançar pérolas do género "é por estas e por outras que o país não anda para a frente".

Merecemos.

Sim, é verdade. Ainda noutro dia nascemos, e já vamos de férias.

Voltamos a servir refeições de crepes lá para o fim-de-semana.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Medalheiro olímpico

Ao quarto dia, a China continua a dominar, Michael Phelps continua a deslumbrar,

Indonésia, Arménia, Taiwan, Argélia, Tajiquistão, Uzbequistão, Quirguistão ou Togo já ganharam medalhas.

"Portugal, Portugal, de que tu estás à espera?"

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Os Xutos são grandes

Eu sei, não é novidade. Já toda a gente assistiu, pelo menos, a meia dúzia de concertos dos Xutos e Pontapés e conhece a energia que eles têm em palco. Mas a garra daqueles senhores – já entradotes, lembre-se – ainda me surpreende.
Ontem sentei-me na cama com o intuito de acabar a noite calmamente, a ler um livro (coisa que, infelizmente, tenho feito muito pouco ultimamente). No entanto, antes de iniciar a leitura, resolvi fazer zapping e deparei-me com a transmissão do concerto dos Xutos no Sudoeste. É verdade que as músicas são sempre as mesmas e que já as ouvi imensas vezes, mas não consegui resistir a toda aquela fúria em palco. O ambiente no festival parecia frenético. E eu, mesmo através da televisão, fiquei conquistada. O livro ficou para depois.

domingo, 10 de agosto de 2008

Imagens olímpicas

Após dois dias de Jogos Olímpicos o balanço parcial surge como uma antevisão provável do que se verá até ao fim: China e EUA na luta pelo domínio do medalheiro e os portugueses a desiludirem.
Ainda assim, já foi possível assistir a algumas momentos deliciosos, nas mais surpreendentes modalidades - e é por isso que os Jogos valem, aliás, é por isso que me dá um gozo brutal trabalhar nesta altura.
Exemplo: a primeira medalha de ouro da China, conquistada pela pequena Chen Xiexia, na prova de halterofilismo (-48kg). Atentem nas imagens: reparem como a jovem oriental parece grande e forte ao levantar heróicamente aqueles 212 quilos (sim 212). E como, depois de perceber que ganhou, desata a correr, saltar e abanar a cabeça, feita a menina de 24 anos (e menos de 48 quilos) que é na verdade. É um imagem bastante castiça. E é com estas imagens que se constroem os heróis olímpicos.

PS. Curiosidade do dia: O maior velho desportista a ganhar uma medalha foi o sueco Oscar Swahn que, aos 72 anos, conquistou a prata nos Jogos Olímpicos de Antuérpia (1920). Quando era a prova? Tiro simples ao... veado.

sábado, 9 de agosto de 2008

Silly Season II

O "Jornal da Noite", da Sic, tem uma nova rubrica. Chama-se qualquer coisa do género "as minhas férias" (confesso que não tenho a certeza do nome) e roça o jornalismo de referência, ao estilo daquele que é praticado no programa "Só visto", da Rtp.
Ora, se bem se lembra, caro leitor, todas as semanas o "Só Visto" apresenta (ou pelo menos apresentava) fotografias enviadas pelos telespectadores, onde anónimos e famosos posam com ar sorridente. No "Jornal da Noite", passa-se mais ou menos o mesmo, mas com fotografias tiradas em férias. A sucessão de imagens é acompanhada por uma narração, com observações sempre a puxar para a piadinha. E, voilà, assim se enchem mais cinco minutos de telejornal.

Agora, deixo aqui o desafio: façam um "mix" das regras destes dois programas e enviem para a Sic fotos das vossas férias, mas que incluam uma ou duas carinhas famosas. Era capaz de ser giro.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Jogos Olímpicos

Durante as próximas duas semanas este que lhe escreve vai estar obcecado com os Jogos Olímpicos de Pequim. Por motivos profissionais ou pura viciação, estes posts poderão redundar em modalidades tão cativantes como a ginástica artística, o badminton ou o tiro com arco.
Por pura estupidez, poderei atentar em pormenores deliciosos como as penas ou volantes usadas numa partida de badminton e as suas características mais escabrosas: o leitor sabia que a base das penas é feita de cortiça, coberta com uma camada de couro de cabrito? Ou que elas são compostas por 16 penas, todas de tamanho idêntico, tiradas das asas esquerdas de três gansos?
Ah pois é.

Porque os Jogos Olímpicos são uma coisa maravilhosa, logo a começar pela cerimónia de abertura, onde se vê todo o globo a desfilar no mesmo estádio, com os trajes mais fashion ou caricatos do mundo (atentem nos países africanos e oceânicos, por favor).
Porque são 16 dias recheados das maiores glórias, fracassos ou deliciosos fait-divers.
Por um rol infindável de razões - ou apenas porque sim - este que lhe escreve vai manter-se de olho em Pequim e, sempre que calhar, aqui virá mandar a sua laracha. Por isso, caro leitor, fique ligado.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

os mestres e o meu micra

Hoje dei comigo a pensar que o meu carro tem qualquer coisa. Qualquer coisa, não sei. Deve atrair charlatães. Passo a explicar: ultimamente, tem sido frequente encontrar papéis com publicidade a “professores” e “mestres” do oculto nos vidros do meu carro. Até aqui tudo bem. Eles estão por toda a parte. O problema é que começo a achar que SÓ põem estes papéis no meu querido micra. Ainda hoje, no meio de dezenas de carros estacionados junto a um supermercado de nome francês, o meu era o único que tinha um papelinho branco a anunciar os préstimos do “Professor Djabi”. E não se pense que foi por outros carros terem chegado depois da passagem do senhor Djabi: o carro que estava ao lado do meu foi estacionado precisamente na mesma altura que o meu micra. Mas era um focus. Se calhar os mestres do oculto acham que os proprietários de carros como um Ford focus não caem na tanga deles. Os donos dos micras são mais susceptíveis , devem achar eles. E toca a pôr publicidade.

O certo é que, depois de tanto papel que me veio parar à mão e foi directamente para o lixo, dei comigo a ler até ao fim a missiva do mestre Djabi. Fiquei a saber que ele é um “grande médium vidente”, “especialista em todos os trabalhos ocultos”. Faz tudo, portanto. Deve ser uma espécie de canivete suíço. E mais: “resultados em apenas 7 dias”.

Isto quer dizer que, daqui a sete dias, o mundo poderia ser um lugar perfeito, se as pessoas dessem mais atenção ao mestre Djabi. Amor, sexo, fidelidade, “atracção de clientela para comerciantes”, concursos, exames, doenças desconhecidas. Ele resolve tudo. Ah, e nem é preciso ir ao consultório, uma simples carta chega para o professor resolver a situação. Lembram-se do génio da lâmpada mágica e do Pai Natal? Este professor funciona mais ou menos assim, só é preciso pagar no final.
Mas, como há poucos micras de ar pobretanas a circular por aí, eu sou das poucas pessoas que tem o contacto do mestre. Muahahahahah! A minha vida vai mudar! Vou já escrever-lhe a fazer os meus pedidos!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

|férias|


Este que assina o texto foi passar uns dias com a família à Nazaré.
Os posts a sério seguem dentro de momento.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

mulheres

as mulheres não precisam de uma boa razão para estar mal-humoradas. ficam irritadas com a vida e com o mundo e com as pessoas que as rodeiam [ponto] quando for altura de passar, voltam a sorrir. não vale a pena tentar acelerar o processo, ou sequer fazer um esforço para as compreender. na maioria dos casos, nem elas se compreendem a si mesmas.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Declaração de interesses

"Medo, eu? Eu até tenho um comunista em casa! Achas que tenho medo?!"

Toni, há dias, no Conta-me como Foi.

domingo, 3 de agosto de 2008

Os 13 mandamentos do jornalista

1. Não terás vida pessoal, familiar ou sentimental, pelo que não vais ver o teu filho crescer.
2. Não terás feriados, fins-de-semana ou qualquer outro tipo de folga.
3. Terás gastrite, se tiveres sorte. Se fores como os outros, terás úlcera, princípio de enfarte e stress em alto nível.
4. A pressa será a tua única amiga e as tuas refeições principais serão lanches na padaria da esquina, pizzas ou uma coxa de frango comprada na churrascaria ao pé do jornal.
5. Os teus cabelos ficarão brancos antes do tempo, isso se te sobrarem cabelos.
6. A tua sanidade mental será posta em cheque antes que completes 5 anos de trabalho.
7. Dormir será considerado período de folga, logo, não dormirás.
8. Trabalho será o teu assunto preferido, talvez o único.
9. A máquina de café será a tua melhor colega de trabalho, porém, a cafeína vai deixar de te fazer efeito.
10. Terás sonhos com fechos de edição, palavras mal escritas, reclamações de leitores e gritos ao telefone dos teus chefes. E, não raro, resolverás problemas de trabalho neste período de sono.
11. Ganharás muito pouco, não terás promoção, não terás perspectivas de melhoria e não receberás elogios dos teus superiores e dos teus leitores
12. Exibirás olheiras como troféus de guerra.
13. E, o pior… Inexplicavelmente gostarás de tudo isto…

sábado, 2 de agosto de 2008

Leituras de Verão

"A minha mulher" é uma interessante pintura da Rússia do século XIX, de leitura agradável e sagaz retrato de costumes. Mas é também a prova de que Tchékov nascera, de facto, para escrever textos dramáticos.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Sempre a aprender...

Hoje estive, em trabalho, na apresentação de um Festival de Doçaria Conventual. Descobri algumas coisas engraçadas, que se calhar até são óbvias, mas nas quais nunca tinha pensado.

1. As biscoitos do Louriçal (que depois passaram também a ser feitos em forma de rosquilha - sim, aquela coisa estranha que eu costumava levar para Coimbra) foram criados pelas Irmãs Clarissas do Louriçal. A freiras criaram um "doce" de composição simples (farinha, azeite, fermento, sal e água), que se encaixava na sua filosofia de vida e votos de pobreza. O certo é que os biscoitos e as rosquilhas são bons e algumas padarias já os comercializam bem caros!

2. As hóstias são feitas com claras de ovos. Ora, sempre pensei que as hóstias fossem apenas farinha e água, mas parece que não. Segundo umas notas distribuídas hoje à imprensa, "a doçaria conventual tem origem na necessidade das freiras em aproveitar as gemas que sobravam após fazerem as hóstias apenas com claras".

3. A mais surpreendente: as freiras utilizam clara de ovo para engomar os seus hábitos. Ainda não consegui perceber bem como fazem, mas devem gastar muitos ovos...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Silly season?

O que dizer quando, após ler o jornal do dia, não se encontra um único tema interessante ou importante a ponto de ser comentado neste espaço?

ps: Já agora, em que mundo é que vivemos quando Julho se despede com céu lúgubre e chuva miudinha?

quarta-feira, 30 de julho de 2008

afinal os filmes podem tornar-se realidade

Nova Iorque. 9h30 da manhã. Metro lotado. Patrick Moberg vê a mulher dos seus sonhos. Era ela, bastou um olhar para perceber. Uma visão curta, já que a rapariga rapidamente se perdeu na múltidão do metro.

Este podia ser o início de um qualquer filme lamechas hollywoodesco. O final era óbvio: o rapaz faria tudo para encontrar a menina, conheciam-se, casavam e viviam felizes para sempre.
Na vida real, as coisas seriam diferentes: provavelmente, o rapaz nunca mais ia ver a moça, esquecia-se dela passado poucas horas e, daí a dias, voltava a encontrar a mulher dos seus sonhos num qualquer espaço público.

No entanto, há tontos para tudo. Um americano encontrou a rapariga da sua vida no metro, desenhou-a, e colocou o esboço numa página da internet criada propositadamente para o efeito. Bastaram 48 horas para para Patrick Moberg localizar a sua deusa.

Sim, o mundo é pequeno.
Sim, vivemos numa espécie de big brother constante.
Sim, na internet "tem tudo".

Mas... sou só eu a pensar que o senhor pode ter localizado a pessoa errada e nem se ter apercebido? Afinal, ele viu-a por breves instantes e deve haver centenas de pessoas que se assemelham ao desenho. Uma qualquer cibernauta pode ter achado que era a sua oportunidade de "desencalhar" e fingido ser e menina do metro. O rapaz - que não deve regular muito bem, para encontrar a mulher dos seus sonhos a qualquer esquina - nem duvidou.

Estes americanos andam a ver filmes a mais.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Ganhar um concurso na secretaria?

A história vem no Diário de Notícias de hoje e é assaz curiosa: um antigo concorrente do Quem Quer Ser Milionário processou a produtora do concurso televisivo por causa de ter perdido após dar uma resposta que considerava acertada.

A questão era ambígua qb – havia várias respostas eventualmente certas – e o tribunal não deu razão ao participante.

Mas esta inovação “futebolística” de recorrer à justiça para contestar um mau resultado num concurso televisivo deixou-me a pensar. O que é que se seguirá?

- Um concorrente do Sabe mais que um miúdo de dez anos? a processar o desgraçado petiz que não o conseguir ajudar na resposta à questão “Qual o osso do pulso com nome de electrodoméstico?”?

- Um participante de um reality show a tentar ganhar a vitória na “secretaria”, porque o Tó Jó estava inscrito irregularmente e a Carla Cristina falhou um controlo anti-doping?

- Ou mesmo uma superstar da Operação Triunfo a meter uma providência cautelar que revogue asvotações do público, porque… hum… apenas porque sim?

Não sei, mas este caso abre todo um mundo novo de hipóteses futuras. Espero ansiosamente por qualquer uma delas.

PS: Aqui para nós: se calhar o moço até tinha razão para afirmar a validade da sua resposta, mas se tivesse lido bem os papelinhos que assinou saberia que a ida a tribunal de nada lhe valeria.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

eu, fotógrafa

Não percebo nada de fotografia, mas foi giro estar com a máquina apontada aos cantores mesmo à beirinha do palco. É certo que a maioria das fotos estão más - deve ser das luzes e da qualidade de máquina, com certeza - mas foi uma experiência engraçada.

Gosto da expressão do Palma na primeira foto. Um sorrisinho alcoolizado.

















domingo, 27 de julho de 2008

(interlúdio)

Nunca precisara de tomar nota para não se esquecer das coisas, mas naquela noite sentiu necessidade de rabiscar nas paredes espessas. A palavra escrita parecia-lhe agora o único veículo seguro. O único caminho para a imortalidade. Ou para algo menos terreno. E suavemente começou a traçar linhas a vermelho, como faca na veia, em letras disformes, tremidas mas seguras,

Pelo madrugada, sem dobrarem sinos pela sua morte, já tombara desfalecido.

Nas paredes da cela, a vermelho sangue: LIBERDADE.

sábado, 26 de julho de 2008

Recebi em casa uma espécie de curso rápido de orações da Igreja Católica. Uma cartilha com noções básicas, do género “aprenda a falar inglês em dois dias”. Grátis. Um curso que nenhum elemento do meu agregado familiar solicitou mas que apareceu pela mão do correio, dentro de um envelope comum, onde no “para” figurava o nome completo do meu pai e a nossa morada correcta. Onde é que foram buscar estes dados? Quem foi a alma bem-intencionada que ofereceu este curso? Não faço ideia.

O envelope trazia um livrinho-cábula de orações e um terço, que deve estar incluído no pacote do curso. O livro é pequenino mas está lá tudo, do Pai Nosso à Salvé Rainha, dos Mistérios Luminosos aos Mistérios Dolorosos (o que é isso?). Mais: foi com este livrinho – e apesar de ter frequentado a catequese durante (demasiados) anos – que aprendi a rezar o terço. Quer dizer, ainda não experimentei, mas pelo menos já sei a teoria. Não parece difícil:




As testemunhas de Jeová costumam tocar às campainhas para anunciar a Palavra. A igreja Católica decidiu seguir as pisadas da concorrência, mas foi mais matreira. É que, quando nos tocam à campainha, podemos largar um “não estou interessada, obrigada” ou um “estava mesmo para sair, estou com muita pressa” pelo intercomunicador. Às cartas, não há como dizer que não. Aparecem no meio das facturas da água e da luz, com ar sério, e, pimba, quando damos por nós já estamos de terço na mão a tentar perceber porque é que o Rosário é a oração da paz. Quem disse que a Igreja não percebe de marketing?

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Template editorial

Não é por acaso que este blog surge alinhado à esquerda,

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Nascimento

Quinta-feira, 24 de Julho de 2008. 1 hora e vinte minutos. A blogosfera está mais rica, com o nascimento de Beethoven de Chocolate. O blog que promete revolucionar o ciberespaço e cativar milhares de leitores. O blog que, em poucos dias, se tornará numa referência nas áreas de política, cultura e parvoíce. O blog que junta dois importantes cronistas portugueses.

Não é nada disto.

Sim, Beethoven de Chocolate viu a luz da internet pela primeira vez à 1h20 do dia 24 de Julho. Tudo o resto são meros devaneios (exceptuando, talvez, a parte da parvoíce). Na verdade, este é apenas um projecto de duas pessoas que gostam de escrever mas são demasiado preguiçosas para conseguirem manter, sozinhas, um blog activo.

Prometemos actualização diária, mas sabemos que as promessas são feitas para não se cumprir. De resto, vamos apenas escrever ao sabor da vida, da música e do tempo livre.
Temos apenas uma certeza: ambos gostamos de crepes de chocolate.