quarta-feira, 17 de setembro de 2008

o taxista

O jovem repórter ligou para o serviço Rádio Táxis e pediu um serviço especial para o Estádio. O táxi chegou prontamente. "Boa tarde. É para o Estádio, por favor", pediu educadamente. O taxista, de careca premente, raosto balofo e corpo anafado, contraiu os músculos da face. "Ai que caralho, se soubesse que era para ir para a confusão não tinha aceite o serviço, que merda, foda-se". De gestos rudes mas macilentos, prosseguiu a retórica. O jovem repórter ignorou-o com uma frase: "pois, lamento. Eu é que não tenho culpa disso". E manteve a mesmo desprezo benovolente enquanto ouvia o 'xófer' grunho, discorrer "os lampiões filhos da puta vão perder amanhã", "aquela ali está velha mas bem conservada, ainda a deixava entrar se fizesse um bóbó".
Chegaram à rua perpendicular ao Estádio. "Sugiro que saia aqui, para não perder mais tempo nem apanhar mais trânsito". O jovem repórter anuiu: "sim, mas pode ser mais à frente". "São cinco e noventa e cinco. Mas pode arredondar para sete ou oito e dizer lá no jornal que apanhou trânsito", sugeriu o motorista avesso a trânsito. "Com certeza que arredondo. Aqui está: seis euros". "Boa tarde" - saiu, bateu com a porta, e sorriu no misto de compaixão e benevolência dos cinco cêntimos de gorjeta.

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