quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Paralímpicos - o final

Terminaram ontem os Jogos Paralímpicos de Pequim.
Importa, por isso, lembrar os heróis nacionais, os vencedores colectivos e a figura individual da prova
Os heróis nacionais: Um ouro, quatro pratas, dois bronzes. João Paulo Fernandes (Ouro, boccia individual BC1), António Marques (Prata. boccia individual BC1), João Paulo Fernandes, António Marques, Fernando Ferreira e Cristina Gonçales (Prata, boccia equipas mistas BC1-2), Armando Costa, Mário Peixoto e Eunice Raimundo (Bronze, boccia equipas mistas BC3), Fernando Ferreira e Bruno Valentim (Prata, boccia pares BC4), João Martins (Bronze, natação 50 metros costas S1) e Luis Gonçalves (Atletismo, 400 metros T12). Por muito que a participação nacional tenha desiludido - e desiludiu - importa louvá-los. Não porque são "coitadinhos", mas porque trazem glória e medalhas para Portugal quando apenas recebem uma ínfima parte dos apoios dados aos Olímpicos. A sua vitória também é essa: dar muito, em troca do pouco que recebem.
Também é certo que a prestação lusa ficou aquém das expectativas - e das 12 medalhas de Atenas. Acima de tudo, falhou o atletismo, até há pouco a modalidade raínha dos paralímpicos portugueses, junto com o boccia. Mas, antes de criticá-los - até porque ninguém inventou desculpas ridiculas.... talvez porque também não foram alvos de uma imensa atenção mediática... - deve-se pensar onde poderiam chegar se tivessem onde apoios devidos.
Talvez tenhamos a resposta em Londres 2012.

Os vencedores colectivos: a China. A fórmula já tinha dado frutos nos Olímpicos e repetiu-se nos Paralímpicos. Um investimento avultado e a formação, desde pequeninos, de muitos atletas, catapultou os chineses para o topo do medalheiro paralímpico. Se nos Olímpicos a já vitória tinha sido em larga escala, mas apenas nas medalhas de ouro (no total, os EUA levaram a melhor: 112 contra 110); já nos Paralímpicos o triunfo foi completamente avassalador: 89 medalhas de ouro e 211 no total. Ou seja, mais do dobro do segundo classificado, o Reino Unido (com 42 ouros e 102 medalhas) e ainda mais à frente do grande rival político-económico-desportivo, os EUA. Os estado-unidenses apenas foram terceiros (com 36 medalhas douradas e um total de 99 metais...).

A figura individual: Oscar Pistorius. O velocista sul-africano que tentou participar nos Jogos Olimpicos (JO) -sem sucesso - foi o protagonista principal dos Jogos Paralímpicos. Um mês depois de Usain Bolt, foi ele a brilhar no Estádio do Ninho de Pássaro, ganhando o ouro dos 100, 200 e 400 metros na sua categoria. Recorde-se que Pistorius se tornou célebre devido a sua luta judicial para participar nos JO. A federação internacional de atletismo queria vedar-lhe a participação porque as próteses de aço (que usa em ambas as pernas) poderiam ser... uma vantagem em relação aos adversários. O recurso à justiça desportiva deu-lhe razão, mas acabou por não conseguir os tempos de qualificação. Vingou-se nos Paralímpicos... e agora promete voltar em Londres... novamente de olho nos JO.

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