sábado, 6 de setembro de 2008

Eu, pecador, me confesso: a culpa é do Tarantino

Hoje, quando me aprestava a apanhar o sempre fiável comboio InterCidades Porto Campanhã-Coimbra não resisti a comprar o Diário de Notícias e o Correio da Manhã, essa dupla de jornais que foram, em tempos, ying e o yang da imprensa portuguesa.
Se comprei o DN por gosto pessoal e “amor à camisola”, a compra o CM teve motivos bem mais terra-a-terra: a oferta do DVD do fabuloso Kill Bill 1, de Quentin Tarantino.

Mas foi essa mesma compra que me possibilitou conhecer essa publicação excepcional, a todos os níveis, que é a revista Vidas.
Para quem não sabe (e vive na feliz ignorância), eu passo a explicar: a Vidas é uma revista que sai aos sábados com o jornal Correio da Manhã. E, embora não assuma o seu cariz humorístico, em dias bons conseguirá, com certeza, sacar tantas gargalhadas quanto o Inimigo Público (o jornal de humor que traz, às sextas, como suplemento, o Público).

Mas, de que é feita a Vidas? Generalizando, é uma revista de fofocas, de cabeçalho cor-de-rosa. No seu interior tem ‘cusquices’ sobre a vida de famosos e até um interessante “consultório sexual”. Portanto, conteúdos de fazer inveja à revista Maria.

Contudo, após uma leitura atenta, a Vidas consegue marcar a diferença. Para vê-lo, bastaria atentar em rubricas como “feng shui”, “sexo virtual”, “Maya responde”, “éfe-érre-á” ou “no ginásio com…” (a minha preferida). Mas como não reparar no espaço “Você decide”, onde os leitores podem opinar, respondendo “sim” ou “não” às questões “A alegada separação de Rita [Pereira] e Angélico é marketing?” e “Angelina Jolie enfrenta depressão pós-parto?”. Será que ainda ninguém percebeu que é para coisas como estas que a democracia é um bem inalienável?

Porém, meus amigos, guardei o melhor para o fim.
Até aqui, a Vidas revelara-se uma revista cor-de-rosa, de pendor marcadamente feminino. Mas o que dizer das páginas em que uma personalidade feminina, de curvas assinaláveis, é fotografada em trajes menores? Nesta edição, a “cantora” Vânia, das Delirium, surge numa lingerie sexy, sobre uma mesa de bilhar, segurando o taco, como que dizendo “caro leitor-homem da Vidas, este espaço é para si”. Em suma, a Vidas não só é uma revista de casa de banho, como ainda faz um apelo descarado a que uma pessoa se "toque no banho" [ndr: masturbação]. Não será altura da igreja católica tomar medidas?

Maldito sejas, Quentin Tarantino!

PS. Deus decidiu castigar-me, com certeza por ter comprado o CM. Hoje poderia ter ganho um prémio no totobola não fosse Ele ter feito o milagre de Cluj: Roménia-0-3-Lituânia.

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