Ponto prévio: não acho que os 14 milhões de euros alegadamente investidos no projecto olímpico português tenham sido mal gastos. Há casos bem mais graves de desbaratamento de dinheiros públicos e nem é preciso falar de alguns dos estádios do Euro 2004.
Além disso, não faz sentido o argumento "se é para nos envergonharem, mais vale não irem". Se apenas forem os melhores dos melhores aos Jogos Olímpicos, Portugal há-de levar continuamente uma comitiva de 15/20 pessoas e os outros atletas/desportos hão-de prosseguir sem perspectivas de evolução. É isso que queremos? Eu acho que não. E da mesma forma que há portugueses com desempenhos sofríveis, também haverá chineses, estado-unidenses e britânicos nas mesmas condições. A diferença é que eles são muitos e um fracasso não dá tanto nas vistas...
Da mesma forma, é evidente que há casos de atletas com uma manifesta falta de jeito (ou prática) para lidar com os jornalistas (essa classe horrível) que por isso dizem aquilo que não querem ou que não pensaram - sim, também há atletas olimpicos que não pensam, isso não acontece só no futebol.
Feita esta declaração de interesses, importa referir que tal não me impede de rir a valer dos epísódios mais caricatos da missão olímpica portuguesa.
Nesse aspecto, dois senhores da escrita criativa, Jorge Vaz Nande e João Miguel Tavares [peço o kink emprestado a outro blog, porque o site do DN ainda não é aquilo que há-de ser], deram-me uma grande ajuda.
Mas não é possível ficar por aí sem lembrar dois episódios curiosos do dia de hoje:
1. No taekwondo (prova com 16 concorrentes), Pedro Póvoa perdeu um combate, foi repescado e perdeu outro combate. Saldo final: dois combates, duas derrotas. Posição? 7º lugar.
Alguém que perceba minimamente de taekwondo (da vasta falange de leitores do beethoven-de-chocolate, alguém há-de perceber...) consegue explicar-me como é que o moço perdeu dois combates e chegou ao sétimo lugar?
Ok, talvez seja melhor não explicarem. Prefiro ficar a saborear a melhor prestação portuguesa dos Jogos Olímpicos. Afinal, com duas derrotas, Pedro Póvoa deu dois pontos a Portugal na classificação final dos Jogos (melhor, só Vanessa Fernandes e Gustavo Lima). [NDR: as classificações olímpicas do 1º ao 8º posto recebem pontuações de oito até um ponto, respectivamente].
2. Na prova de maratona de águas abertas (natação), participou a sul-africana Natalie Du Toit. O extraordinário do facto é que Natalie é amputada (da perna esquerda) e se tornou na primeira mulher nessa condição a participar nos Jogos Olimpicos. Explicação extra: Natalie nadou dez quilómetros - a prova dura cerca de duas hora - só com uma perna, sem prótese, e ficou no 16º lugar, entre 25 participantes. Bónus: a portuguesa Daniela Inácio ficou em 17º.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
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