O rato da imagem foi uma das minhas maiores referências de vida praí até aos dez anos.
Hoje, celebra o 80º aniversário. Parabéns.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
domingo, 16 de novembro de 2008
Coimbra (de) sempre
De passagem pelo Penedo da Saudade, cruzei-me com este poema de Manuel Alegre:
De Coimbra, fica um rio e uma saudade
Cavaleiros andantes, Dulcineias
De Coimbra, fica a breve eternidade
Do Mondego, a correr em nossas veias
De Coimbra, fica o sonho, fica a graça
Antero de revolta, capa à solta
De Coimbra, fica um tempo que não passa
Neste passar de um tempo que não volta
O tempo não passa por Coimbra. Podia fazer aqui uma (enorme) lista de coisas que nunca mudam naquela cidade. Mas não vale a pena. Quem por lá passou sabe do que falo; quem nunca viu Coimbra como uma casa não ia perceber, por mais que me esforçasse com explicações inúteis.
De Coimbra, fica um rio e uma saudade
Cavaleiros andantes, Dulcineias
De Coimbra, fica a breve eternidade
Do Mondego, a correr em nossas veias
De Coimbra, fica o sonho, fica a graça
Antero de revolta, capa à solta
De Coimbra, fica um tempo que não passa
Neste passar de um tempo que não volta
O tempo não passa por Coimbra. Podia fazer aqui uma (enorme) lista de coisas que nunca mudam naquela cidade. Mas não vale a pena. Quem por lá passou sabe do que falo; quem nunca viu Coimbra como uma casa não ia perceber, por mais que me esforçasse com explicações inúteis.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Tony Carreira e Popota, o par romantico deste Natal
Afinal, os suplementos de Economia dos jornais até podem trazer notícias engraçadas. Hilariantes, até. Hoje, quando folheava o caderno de Economia do Expresso - rapidamente e em modo "piloto automático", como habitual - vi-me obrigada a parar na página 36. Motivo: imagens de desenhos animados em forma de hipopótamo. Lembram-se da Popota, a mascote do Modelo no Natal passado? Era ela. Mas estava acompanhada de um hipopótamo de cabelinho esquisito. Era o Tony Carreira. Sim, esse mesmo. O cantor romântico português que plagia músicas mexicanas.
Parece que o Tony se associou à campanha do Modelo e gravou um CD com 12 músicas. Parte das receitas (provavelmente astronómicas) do álbum revertem a favor do projecto Causa Maior. Até aqui tudo bem, parece-me uma bela jogada de marketing do Modelo. Mas havia mesmo necessidade de transformar o Tony num hipopótamo pateta? A avaliar pelas imagens publicadas no Expresso, a resposta é: "sim, sem dúvida". É que o hipopótamo Tony faz par romântico com a Popota. Juntos, vão cantar, dançar e encarnar personagens de filmes como "Cinderela" e "Titanic". A famosa cena na proa do Titanic está lá, claro. Os olhares melosos também. As semelhanças entre o hipopótamo e Tony Carreira... nem por isso. Mas talvez seja problema das fotos, já que a Pópata aparece quase sempre em grande plano, a exibir os seus vestidos diferentes.
Eu, que gosto de bonecos e coisas parvas, estou ansiosa para ver o anúncio. E consta que não vou ter de esperar muito: as imagens devem começar a circular já nesta semana. Afinal, "o Natal está mesmo aí a porta".
Parece que o Tony se associou à campanha do Modelo e gravou um CD com 12 músicas. Parte das receitas (provavelmente astronómicas) do álbum revertem a favor do projecto Causa Maior. Até aqui tudo bem, parece-me uma bela jogada de marketing do Modelo. Mas havia mesmo necessidade de transformar o Tony num hipopótamo pateta? A avaliar pelas imagens publicadas no Expresso, a resposta é: "sim, sem dúvida". É que o hipopótamo Tony faz par romântico com a Popota. Juntos, vão cantar, dançar e encarnar personagens de filmes como "Cinderela" e "Titanic". A famosa cena na proa do Titanic está lá, claro. Os olhares melosos também. As semelhanças entre o hipopótamo e Tony Carreira... nem por isso. Mas talvez seja problema das fotos, já que a Pópata aparece quase sempre em grande plano, a exibir os seus vestidos diferentes.
Eu, que gosto de bonecos e coisas parvas, estou ansiosa para ver o anúncio. E consta que não vou ter de esperar muito: as imagens devem começar a circular já nesta semana. Afinal, "o Natal está mesmo aí a porta".
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
mea culpa
Ao longo do último mês, RMS esteve em Londres (uma vez), Penafiel (outra vez), Pombal (três vezes) e Alfafar (cinco vezes). Não só mas também por isso, não escreveu. E agora se penitencia perante os três leitores do blogue com nome de crepe.
PS. RMS aproveita a ocasião para recomendar a leitura da coluna de Ferreira Fernandes no DN de ontem, onde nos é explicado que "os cidadãos do país mais industrial do mundo e com as melhores orquestras sinfónicas votam por regras ditadas pelos camponeses do Kentucky dos meados do século XIX". Simplesmente, genial.
PS. RMS aproveita a ocasião para recomendar a leitura da coluna de Ferreira Fernandes no DN de ontem, onde nos é explicado que "os cidadãos do país mais industrial do mundo e com as melhores orquestras sinfónicas votam por regras ditadas pelos camponeses do Kentucky dos meados do século XIX". Simplesmente, genial.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Novo hino nacional
Mais de 1700 portugueses gostavam que o actual hino nacional fosse substituído pela canção "Movimento Perpétuo Associativo", dos Deolinda. A petição está online e pode ser assinada aqui.
Razões para mandar “A Portuguesa” para a reciclagem? Os autores da petição defendem que “o tempo dos ‘heróis do mar’ já lá vai há muito”; e que “os portugueses já não são um ‘nobre povo’, nem uma ‘nação valente’”. Em suma: “não faz sentido mantermos um hino que reflecte um nacionalismo tacanho e bélico […] e que está completamente desactualizado e desfocado da realidade do país”.
A letra de “Movimento Perpétuo Associativo” está muito mais próxima daquilo que é o pensamento português. Basta confrontar os primeiros e últimos versos da canção:
“Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vais parar!
e
“Agora não, que falta um impresso...
Agora não, que o meu pai não quer...
Agora não, que há engarrafamentos...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...”
Naturalmente, tudo isto não passa de uma brincadeira. As 1700 pessoas que assinaram a petição não querem mesmo trocar “A Portuguesa” pelo “Movimento Perpétuo Associativo”. Trata-se apenas de uma piada e de uma forma de alertar para a necessidade de mudança de mentalidades do país. E, de facto, parece que a graçola é mais que justificada. Segundo Nuno Markl, já há por aí muita gente indignada, que anda a enviar mensagens carregadas de ira aos subscritores da petição. Parece que há pessoas que consideram a petição uma piada de mau gosto e defendem com unhas e dentes a dignidade d’A Portuguesa”.
Se o caro leitor for uma dessas pessoas de sentido de humor limitado, pode aproveitar para desabafar já aqui, porque, obviamente, eu também assinei a petição. É no final deste texto, onde diz “0 chocolates”. Não se acanhe.
(nunca é demais salientar: os Deolinda são mesmo um dos projectos musicais mais interessantes e geniais dos últimos tempos, catano!)
Razões para mandar “A Portuguesa” para a reciclagem? Os autores da petição defendem que “o tempo dos ‘heróis do mar’ já lá vai há muito”; e que “os portugueses já não são um ‘nobre povo’, nem uma ‘nação valente’”. Em suma: “não faz sentido mantermos um hino que reflecte um nacionalismo tacanho e bélico […] e que está completamente desactualizado e desfocado da realidade do país”.
A letra de “Movimento Perpétuo Associativo” está muito mais próxima daquilo que é o pensamento português. Basta confrontar os primeiros e últimos versos da canção:
“Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vais parar!
e
“Agora não, que falta um impresso...
Agora não, que o meu pai não quer...
Agora não, que há engarrafamentos...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...”
Naturalmente, tudo isto não passa de uma brincadeira. As 1700 pessoas que assinaram a petição não querem mesmo trocar “A Portuguesa” pelo “Movimento Perpétuo Associativo”. Trata-se apenas de uma piada e de uma forma de alertar para a necessidade de mudança de mentalidades do país. E, de facto, parece que a graçola é mais que justificada. Segundo Nuno Markl, já há por aí muita gente indignada, que anda a enviar mensagens carregadas de ira aos subscritores da petição. Parece que há pessoas que consideram a petição uma piada de mau gosto e defendem com unhas e dentes a dignidade d’A Portuguesa”.
Se o caro leitor for uma dessas pessoas de sentido de humor limitado, pode aproveitar para desabafar já aqui, porque, obviamente, eu também assinei a petição. É no final deste texto, onde diz “0 chocolates”. Não se acanhe.
(nunca é demais salientar: os Deolinda são mesmo um dos projectos musicais mais interessantes e geniais dos últimos tempos, catano!)
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
constatação
“- Já tem ficha de cliente na nossa loja?
- Não.
- Então, diga-me o seu nome, por favor.
- SMF
- Profissão?
- estu… erhm… jornalista”
É estranho trocar de profissão, depois de quinze anos de “trabalho”.
- Não.
- Então, diga-me o seu nome, por favor.
- SMF
- Profissão?
- estu… erhm… jornalista”
É estranho trocar de profissão, depois de quinze anos de “trabalho”.
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
"A" opinião
A propósito da votação de hoje:
"O casamento homossexual, com a plenitude dos direitos típicos desse instituto jurídico, bem como a possibilidade de adopção reconhecida a casais homossexuais, é uma prova da maturidade das sociedades. (...) Cada Governo que adia esta questão adia a humanidade".
valter hugo mãe, escritor
"O casamento homossexual, com a plenitude dos direitos típicos desse instituto jurídico, bem como a possibilidade de adopção reconhecida a casais homossexuais, é uma prova da maturidade das sociedades. (...) Cada Governo que adia esta questão adia a humanidade".
valter hugo mãe, escritor
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Para bom entendedor...
Lisboa, 03 Out (Lusa) - O líder nacionalista Mário Machado, hoje condenado a prisão efectiva por discriminação racial e outros crimes, mostrou-se revoltado com a sentença, sustentando que "quem merecia a prisão eram os pretos e os ciganos que andam aos tiros, como aconteceu na Quinta da Fonte".
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Há pouco, na Sic Notícias...
... os quatro elementos do Gato Fedorento admitiam que não atingiram os seus objectivos em alguns episódios do “Diz que é uma espécie de Magazine”. Que houve semanas em que o programa quase não teve graça. Que é difícil manter o nível de qualidade perante a exigência de produzir humor semanalmente.
É bom ver que, apesar do sucesso, estes humoristas continuam a ter humildade e sentido crítico. Sempre preferi as séries de sketches ao “Diz que é uma espécie de Magazine”. Acho muito mais piada ao Gato Fedorento non sense do que àquele que brinca com a actualidade. Claro que é sempre engraçado ver o RAP a imitar o Valentim Loureiro ou o Sócrates. Claro que o sketch do Marcelo Rebelo de Sousa é fantástico. Mas estes são apenas alguns momentos bons no meio de várias actuações medíocres. Havia programas em que quase não me ria, o que era impensável na altura das saudosas séries Fonseca e Meireles.
No entanto, a maioria dos portugueses parece discordar da minha opinião. E no próximo domingo, lá vamos ver o Gato Fedorento a parodiar a política nacional. Nesta altura, especula-se sobre a identidade de “Zé Carlos”, o indivíduo que vai dar nome ao programa. Ora eu, assim de repente, lembro-me deste Zé Carlos, da altura em que o Gato Fedorento tinha muita piada:
Mas o sketch mais marcante de todas as séries é, definitivamente, o que se segue. Não sei se será o melhor de todos, porque não consigo escolher o meu preferido entre tantos que gosto. Mas este é, sem dúvida, o sketch que mais vezes vi. E rio-me sempre, apesar de já saber as piadas todas de cor...
É bom ver que, apesar do sucesso, estes humoristas continuam a ter humildade e sentido crítico. Sempre preferi as séries de sketches ao “Diz que é uma espécie de Magazine”. Acho muito mais piada ao Gato Fedorento non sense do que àquele que brinca com a actualidade. Claro que é sempre engraçado ver o RAP a imitar o Valentim Loureiro ou o Sócrates. Claro que o sketch do Marcelo Rebelo de Sousa é fantástico. Mas estes são apenas alguns momentos bons no meio de várias actuações medíocres. Havia programas em que quase não me ria, o que era impensável na altura das saudosas séries Fonseca e Meireles.
No entanto, a maioria dos portugueses parece discordar da minha opinião. E no próximo domingo, lá vamos ver o Gato Fedorento a parodiar a política nacional. Nesta altura, especula-se sobre a identidade de “Zé Carlos”, o indivíduo que vai dar nome ao programa. Ora eu, assim de repente, lembro-me deste Zé Carlos, da altura em que o Gato Fedorento tinha muita piada:
Mas o sketch mais marcante de todas as séries é, definitivamente, o que se segue. Não sei se será o melhor de todos, porque não consigo escolher o meu preferido entre tantos que gosto. Mas este é, sem dúvida, o sketch que mais vezes vi. E rio-me sempre, apesar de já saber as piadas todas de cor...
domingo, 28 de setembro de 2008
um dia, talvez emigre para a Índia
“Na Índia, milhares de fiéis reúnem-se, todos os dias, num templo consagrado à glorificação da imprensa, inclinando-se respeitosamente diante de uma grande pilha de jornais. As criticas que denunciam a falta de credibilidade dos meios de comunicação social não atingiram o seu credo. Aqui, a imprensa – toda a imprensa – tem um estatuto divino. «Veneramos todos os jornais», explicou o sacerdote do tempo, Balarma Markham, ao Hindustan Times. «Os jornais abrem os olhos, permitem tomar consciência dos problemas deste mundo, denunciando os males e os crimes da nossa sociedade. Inculcam valores humanos e impedem as pessoas de praticarem o mal»”.
in Courrier Internacional, Outubro 2008
Mundo de extremos: nuns sítios os jornais são tão desprezados, noutros são tão venerados. Um dia, talvez emigre para a Índia. Ou não. Afinal, nunca ambicionei ser deus de coisa nenhuma.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Não há coincidências
No mesmo dia em que Portugal deu mais um passo para ficar com um sistema de ensino similar ao da Finlândia, acontece isto... na Finlândia.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Paralímpicos - o final
Terminaram ontem os Jogos Paralímpicos de Pequim.
Importa, por isso, lembrar os heróis nacionais, os vencedores colectivos e a figura individual da prova
Os heróis nacionais: Um ouro, quatro pratas, dois bronzes. João Paulo Fernandes (Ouro, boccia individual BC1), António Marques (Prata. boccia individual BC1), João Paulo Fernandes, António Marques, Fernando Ferreira e Cristina Gonçales (Prata, boccia equipas mistas BC1-2), Armando Costa, Mário Peixoto e Eunice Raimundo (Bronze, boccia equipas mistas BC3), Fernando Ferreira e Bruno Valentim (Prata, boccia pares BC4), João Martins (Bronze, natação 50 metros costas S1) e Luis Gonçalves (Atletismo, 400 metros T12). Por muito que a participação nacional tenha desiludido - e desiludiu - importa louvá-los. Não porque são "coitadinhos", mas porque trazem glória e medalhas para Portugal quando apenas recebem uma ínfima parte dos apoios dados aos Olímpicos. A sua vitória também é essa: dar muito, em troca do pouco que recebem.
Também é certo que a prestação lusa ficou aquém das expectativas - e das 12 medalhas de Atenas. Acima de tudo, falhou o atletismo, até há pouco a modalidade raínha dos paralímpicos portugueses, junto com o boccia. Mas, antes de criticá-los - até porque ninguém inventou desculpas ridiculas.... talvez porque também não foram alvos de uma imensa atenção mediática... - deve-se pensar onde poderiam chegar se tivessem onde apoios devidos.
Talvez tenhamos a resposta em Londres 2012.
Os vencedores colectivos: a China. A fórmula já tinha dado frutos nos Olímpicos e repetiu-se nos Paralímpicos. Um investimento avultado e a formação, desde pequeninos, de muitos atletas, catapultou os chineses para o topo do medalheiro paralímpico. Se nos Olímpicos a já vitória tinha sido em larga escala, mas apenas nas medalhas de ouro (no total, os EUA levaram a melhor: 112 contra 110); já nos Paralímpicos o triunfo foi completamente avassalador: 89 medalhas de ouro e 211 no total. Ou seja, mais do dobro do segundo classificado, o Reino Unido (com 42 ouros e 102 medalhas) e ainda mais à frente do grande rival político-económico-desportivo, os EUA. Os estado-unidenses apenas foram terceiros (com 36 medalhas douradas e um total de 99 metais...).
A figura individual: Oscar Pistorius. O velocista sul-africano que tentou participar nos Jogos Olimpicos (JO) -sem sucesso - foi o protagonista principal dos Jogos Paralímpicos. Um mês depois de Usain Bolt, foi ele a brilhar no Estádio do Ninho de Pássaro, ganhando o ouro dos 100, 200 e 400 metros na sua categoria. Recorde-se que Pistorius se tornou célebre devido a sua luta judicial para participar nos JO. A federação internacional de atletismo queria vedar-lhe a participação porque as próteses de aço (que usa em ambas as pernas) poderiam ser... uma vantagem em relação aos adversários. O recurso à justiça desportiva deu-lhe razão, mas acabou por não conseguir os tempos de qualificação. Vingou-se nos Paralímpicos... e agora promete voltar em Londres... novamente de olho nos JO.
Importa, por isso, lembrar os heróis nacionais, os vencedores colectivos e a figura individual da prova
Os heróis nacionais: Um ouro, quatro pratas, dois bronzes. João Paulo Fernandes (Ouro, boccia individual BC1), António Marques (Prata. boccia individual BC1), João Paulo Fernandes, António Marques, Fernando Ferreira e Cristina Gonçales (Prata, boccia equipas mistas BC1-2), Armando Costa, Mário Peixoto e Eunice Raimundo (Bronze, boccia equipas mistas BC3), Fernando Ferreira e Bruno Valentim (Prata, boccia pares BC4), João Martins (Bronze, natação 50 metros costas S1) e Luis Gonçalves (Atletismo, 400 metros T12). Por muito que a participação nacional tenha desiludido - e desiludiu - importa louvá-los. Não porque são "coitadinhos", mas porque trazem glória e medalhas para Portugal quando apenas recebem uma ínfima parte dos apoios dados aos Olímpicos. A sua vitória também é essa: dar muito, em troca do pouco que recebem.
Também é certo que a prestação lusa ficou aquém das expectativas - e das 12 medalhas de Atenas. Acima de tudo, falhou o atletismo, até há pouco a modalidade raínha dos paralímpicos portugueses, junto com o boccia. Mas, antes de criticá-los - até porque ninguém inventou desculpas ridiculas.... talvez porque também não foram alvos de uma imensa atenção mediática... - deve-se pensar onde poderiam chegar se tivessem onde apoios devidos.
Talvez tenhamos a resposta em Londres 2012.
Os vencedores colectivos: a China. A fórmula já tinha dado frutos nos Olímpicos e repetiu-se nos Paralímpicos. Um investimento avultado e a formação, desde pequeninos, de muitos atletas, catapultou os chineses para o topo do medalheiro paralímpico. Se nos Olímpicos a já vitória tinha sido em larga escala, mas apenas nas medalhas de ouro (no total, os EUA levaram a melhor: 112 contra 110); já nos Paralímpicos o triunfo foi completamente avassalador: 89 medalhas de ouro e 211 no total. Ou seja, mais do dobro do segundo classificado, o Reino Unido (com 42 ouros e 102 medalhas) e ainda mais à frente do grande rival político-económico-desportivo, os EUA. Os estado-unidenses apenas foram terceiros (com 36 medalhas douradas e um total de 99 metais...).
A figura individual: Oscar Pistorius. O velocista sul-africano que tentou participar nos Jogos Olimpicos (JO) -sem sucesso - foi o protagonista principal dos Jogos Paralímpicos. Um mês depois de Usain Bolt, foi ele a brilhar no Estádio do Ninho de Pássaro, ganhando o ouro dos 100, 200 e 400 metros na sua categoria. Recorde-se que Pistorius se tornou célebre devido a sua luta judicial para participar nos JO. A federação internacional de atletismo queria vedar-lhe a participação porque as próteses de aço (que usa em ambas as pernas) poderiam ser... uma vantagem em relação aos adversários. O recurso à justiça desportiva deu-lhe razão, mas acabou por não conseguir os tempos de qualificação. Vingou-se nos Paralímpicos... e agora promete voltar em Londres... novamente de olho nos JO.
o músico do diospiro
Ao contrário do que possa parecer, este indivíduo não está apenas a tentar ouvir os batimentos cardíacos de uma torneira. O senhor do chapéu esquisito não é louco. Na verdade, trata-se de um artista que, na foto, está a trabalhar numa performance musical.João Ricardo de Barros Oliveira é músico-escultor sonoro. Recolhe lixo e, com ele, explora sons. É para isso que este homem se levanta todos os dias: para remexer em caixotes do lixo e ouvir ruídos até à exaustão. Diz que não gosta mais de uns sons que outros, apenas quer descobrir mais e mais sonoridades diferentes.
O indivíduo do chapéu esquisito não é louco, mas tem qualquer coisa de louco. É uma figura caricata, desde a forma como se veste à forma como fala.
Conheci João Oliveira ainda há pouco, através de um documentário sobre o seu trabalho. Acontece que, desse documentário ("Lapsus Sonorus", de Luís Margalhau), não é o trabalho do músico-escultor sonoro que fica na memória, mas sim a personagem João Oliveira. De repente, dei comigo a rir-me com um filme que era suposto ser informação e não comédia.
Destaco três momentos, através das palavras do próprio João Oliveira:
- “O meu sonho é tocar com 50 aspiradores na orquestra sinfónica de Berlim” (este até é relativamente normal, tendo em conta a profissão do senhor)
- “Um dia esqueci-me da minha namorada num caixote do lixo”.
Como? João Oliveira estava a passear com a companheira quando, a meio de uma “conversa de namorados”, viu um caixote do lixo que o deixou louco. Correu para lá. Observou, remexeu, explorou. Não sei durante quanto tempo é que esteve alheado do mundo, mas João Oliveira conta que a certa altura desceu à terra e pensou “espera lá, eu estava acompanhado”. Entretanto, a namorada (naturalmente) já tinha desaparecido.
- “A minha inspiração vem também muito do dióspiro. Gosto muito de dióspiros”.
Esta é a minha preferida. João Oliveira é um homem que usa um chapéu estranho, recolhe lixo, passa o dia enfiado numa cacofonia tremenda à procura de qualquer coisa que faça sentido e, para conjugar o som de parafusos e aspiradores, inspira-se em… dióspiros. E diz isto com a maior calma e seriedade do mundo, como se houvesse uma relação óbvia entre o dióspiro e uma sinfonia de torneiras a chiar. Eu – apesar de até achar piada ao trabalho desenvolvido por João Oliveira – não pude conter o riso.
Em suma: não sei onde se vende (ou sequer se está à venda em algum lado) o documentário “Lapsus Sonorus”. Mas, se tiverem oportunidade, dêem uma espreitadela, quanto mais não seja pelo caricato da coisa. Há por aí gente muito estranha. E há gente estranha que até faz umas coisas engraçadas. Aqui, podem conhecer a personagem João Oliveira e alguns dos seus projectos.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
o taxista
O jovem repórter ligou para o serviço Rádio Táxis e pediu um serviço especial para o Estádio. O táxi chegou prontamente. "Boa tarde. É para o Estádio, por favor", pediu educadamente. O taxista, de careca premente, raosto balofo e corpo anafado, contraiu os músculos da face. "Ai que caralho, se soubesse que era para ir para a confusão não tinha aceite o serviço, que merda, foda-se". De gestos rudes mas macilentos, prosseguiu a retórica. O jovem repórter ignorou-o com uma frase: "pois, lamento. Eu é que não tenho culpa disso". E manteve a mesmo desprezo benovolente enquanto ouvia o 'xófer' grunho, discorrer "os lampiões filhos da puta vão perder amanhã", "aquela ali está velha mas bem conservada, ainda a deixava entrar se fizesse um bóbó".
Chegaram à rua perpendicular ao Estádio. "Sugiro que saia aqui, para não perder mais tempo nem apanhar mais trânsito". O jovem repórter anuiu: "sim, mas pode ser mais à frente". "São cinco e noventa e cinco. Mas pode arredondar para sete ou oito e dizer lá no jornal que apanhou trânsito", sugeriu o motorista avesso a trânsito. "Com certeza que arredondo. Aqui está: seis euros". "Boa tarde" - saiu, bateu com a porta, e sorriu no misto de compaixão e benevolência dos cinco cêntimos de gorjeta.
Chegaram à rua perpendicular ao Estádio. "Sugiro que saia aqui, para não perder mais tempo nem apanhar mais trânsito". O jovem repórter anuiu: "sim, mas pode ser mais à frente". "São cinco e noventa e cinco. Mas pode arredondar para sete ou oito e dizer lá no jornal que apanhou trânsito", sugeriu o motorista avesso a trânsito. "Com certeza que arredondo. Aqui está: seis euros". "Boa tarde" - saiu, bateu com a porta, e sorriu no misto de compaixão e benevolência dos cinco cêntimos de gorjeta.
Rua Sésamo, eu quero ir

Espectáculos
Rua Sésamo ao Vivo - Espectáculo Infantil
21 a 23 de Novembro
Ninguém resiste à Rua Sésamo, incluindo os actores e músicos que participam com as suas vozes na versão portuguesa, um elenco de luxo composto por Sérgio Godinho, Nuno Lopes, Henrique Feist, Susana Félix, JP Simões, Tânia Ribas de Oliveira, Paula Oliveira, Filipa Pais, João Nuno Martins e Ricardo Spínola. A tradução e adaptação do texto original ficaram a cargo de Tiago Torres da Silva, assim como a direcção de actores nas dobragens. Paula Oliveira é a directora musical.
in Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz
Serei a única a achar que o público-alvo do espectáculo da Rua Sésamo não são as crianças? Os miúdos de hoje não gostam da Rua Sésamo; gostam do Rucca, do Noddy e do Bob, o Construtor. Quando muito, simpatizam com o Abre-te Sésamo, o programa que a RTP2 exibe de manhã e onde entram os saudosos Egas, Becas e Monstro das Bolachas. Mas o Abre-te Sésamo está muito longe daquilo que era a Rua Sésamo. Falta o Poupas Amarelo. Faltam as personagens de carne e osso, que se misturavam com a bonecada. Falta o Gualter. Falta o coro de crianças a cantar "vem brincar, traz um amigo teu", no genérico. Falta aquela simplicidade tosca de uma televisão ainda bebé.
Os verdadeiros fãs da Rua Sésamo têm agora vinte e poucos anos. E eu faço parte do grupo, obviamente. Aprendi as primeiras letras com a Rua Sésamo; comi muitos pães com tuli-creme enquanto via o Poupas à conversa com a Alexandra Lencastre; não perdia um episódio e sabia aquelas estórias todas de cor. Agora, tenho razões para entrar em delírio: ícones do presente (ícones no verdadeiro sentido do termo, não confundir com o reality show online de que se fala por aí), como JP Simões, Sérgio Godinho e Nuno Lopes, vão dar voz a uma das minhas mais doces recordações de infância.
Eu quero, mesmo, ir ver o espectáculo ao CAE. Serei a única adulta a ter este desejo? Será que posso levar um pão com tuli-creme, para me sentir de novo com cinco anos?
domingo, 14 de setembro de 2008
Depressão pós-férias inexistentes
A época balnear acaba amanhã e eu descobri hoje que já tenho saudades da praia que quase não tive. Vou continuar a ter o mar a cinco minutos de distância, é certo. Vou continuar a passear pela praia, com certeza. Mas, a partir do Outono, o areal deixa fugir a (por vezes excessiva) alegria que o povoa na época balnear e torna-se num local nostálgico, propício a reflexões mais ou menos pertinentes e a buscas no baú das memórias.
Acabaram-se as longas conversas estendidas numa toalha soalheira, os passeios à beira-mar com os pés debaixo do oceano, os mergulhos na espécie de arca frigorífica que é o Atlântico. Acabaram-se as esplanadas alimentadas a tremoços, pevides e caju, e regadas a finos. Acabaram-se os gelados à beira mar. Os “avecs” foram-se embora das praias do concelho da Figueira da Foz e aposto que os “tios” de Cascais também já deixaram S. Martinho do Porto.
E eu, que já deixei de fazer praia de biquíni e protector solar há um mês, dava tudo para fugir a esta melancolia que me assola e refugiar-me num qualquer paraíso tropical, para desfrutar das férias que não tive (e não vou ter), na companhia que me faz falta.
Acabaram-se as longas conversas estendidas numa toalha soalheira, os passeios à beira-mar com os pés debaixo do oceano, os mergulhos na espécie de arca frigorífica que é o Atlântico. Acabaram-se as esplanadas alimentadas a tremoços, pevides e caju, e regadas a finos. Acabaram-se os gelados à beira mar. Os “avecs” foram-se embora das praias do concelho da Figueira da Foz e aposto que os “tios” de Cascais também já deixaram S. Martinho do Porto.
E eu, que já deixei de fazer praia de biquíni e protector solar há um mês, dava tudo para fugir a esta melancolia que me assola e refugiar-me num qualquer paraíso tropical, para desfrutar das férias que não tive (e não vou ter), na companhia que me faz falta.
há programas de televisão fantásticos, não há?
Alguém me consegue explicar em que medida é que o momento que se segue - desde o guarda-roupa da apresentadora, à letra, melodia e coreografia da música - se insere num programa infantil?
Alguém me sabe explicar em que medida é que afirmar publicamente que se pagou para ter sexo "porque era um dia de festa e era para festejar um coisa" é razão para ganhar dinheiro? E, pior, que interesse é que tamanha revelação tem para os milhões de telespectadores que assistem à confissão do outro lado do ecrã?
Pois, logo vi que eram perguntas demasiado complexas para o leitor me responder.
Alguém me sabe explicar em que medida é que afirmar publicamente que se pagou para ter sexo "porque era um dia de festa e era para festejar um coisa" é razão para ganhar dinheiro? E, pior, que interesse é que tamanha revelação tem para os milhões de telespectadores que assistem à confissão do outro lado do ecrã?
Pois, logo vi que eram perguntas demasiado complexas para o leitor me responder.
sábado, 13 de setembro de 2008
Quando se assiste à cerimónia religiosa de um casamento
e lá se fala de "união de carnes", "inter-penetração" e "posição do carrinho de mão"* é porque algo está a mudar na igreja católica.
* ok, na verdade não se fala desta última, mas não deixava de ser engraçado.
* ok, na verdade não se fala desta última, mas não deixava de ser engraçado.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
untitled
O homem do dia:
A frase a estampar nas t-shirts do futuro:
"Vayanse al carajo yankees de mierda, que aquí hay un pueblo digno"
A frase a estampar nas t-shirts do futuro:
"Vayanse al carajo yankees de mierda, que aquí hay un pueblo digno"
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
O horror é o mesmo, só mudam os algozes
11 Setembro 2001. O horror: Al Qaeda sequestra aviões, destrói completamente o World Trade Center (Nova Iorque) e parcialmente o Pentágono (Washington) e mata quase três mil pessoas. Os algozes: a Al Qaeda e os fundamentalistas islâmicos.
11 Setembro 1973. O horror: Salvador Allende, chefe de Estado chileno, democráticamente eleito, é brutalmente assassinado na sequência de um golpe encabeçado pelo carniceiro Augusto Pinochet - que haveria de fazer milhares de vítimas durante as quase duas décadas em que governou o Chile com "mão de ferro". Os algozes: Pinochet e os EUA, que apoiaram o golpe.
11 Setembro 1942. O horror: Bento Gonçalves, operário, activista e dirigente sindical, morre no campo de concentração do Tarrafal, para onde fora enviado por ser opositor do regime ditatorial de António de Oliveira Salazar. Os algozes: Salazar e o seu regime pidesco - embora a PIDE só viesse a ser criada em 1945.
11 Setembro 1973. O horror: Salvador Allende, chefe de Estado chileno, democráticamente eleito, é brutalmente assassinado na sequência de um golpe encabeçado pelo carniceiro Augusto Pinochet - que haveria de fazer milhares de vítimas durante as quase duas décadas em que governou o Chile com "mão de ferro". Os algozes: Pinochet e os EUA, que apoiaram o golpe.
11 Setembro 1942. O horror: Bento Gonçalves, operário, activista e dirigente sindical, morre no campo de concentração do Tarrafal, para onde fora enviado por ser opositor do regime ditatorial de António de Oliveira Salazar. Os algozes: Salazar e o seu regime pidesco - embora a PIDE só viesse a ser criada em 1945.
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